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Maria Cristina Castilho: Quaresma e Semana Santa

MARIA CRISTINA CASTILHO - redacao@jj.com.br | 26/03/2018 | 04:00

A Quaresma e a Semana Santa me iluminam. É um tempo em que sinto muito forte a presença de Deus, que passa na brisa e procura assoprar para longe as minhas tantas sombras.
Neste ano, já no amanhecer da quarta-feira de Cinzas, durante a missa, pude notar qual seria, para mim, a fala forte do Senhor. Em sua homilia, o padre Milton Rogério Vicente disse, de maneira profunda e inspirada, como é próprio dele, sobre o melhorar-se para Jesus Cristo. Questionou-me demais! E, desde aquele dia, tenho pensado sobre esse burilar-se, que pode atrair plateia e/ou o voltar-me ao Misericordioso, sem preocupação alguma de aplausos. Tenho refletido, ainda, sobre o risco de resolver carências na busca das virtudes.

E veio-me a grande Madre, Santa Teresa D’Ávila, em seu livro “Caminho da Perfeição”, no capítulo 36: “Jesus diz estas palavras: ‘Perdoai-nos as nossas ofensas, assim com nós perdoamos a quem nos tem ofendido’. A verdadeira honra consiste em buscar o proveito da alma. (…) Porque o proveito da alma e aquilo que o mundo chama de honra nunca podem ser bons companheiros. Não posso acreditar que uma alma que tanto se aproxime da própria Misericórdia, onde conhece quem é e o muito que Deus lhe tem perdoado, deixe de perdoar logo com toda a facilidade e não se disponha a ficar muito bem com quem o ofendeu”. (…) E completa no capítulo 37: “Espanta-me ver que estejam, em tão poucas palavras, encerradas a contemplação e a perfeição, parecendo que não temos necessidade de estudar nenhum livro: basta-nos o Pai-Nosso”.
Interessante, já lera os dois capítulos, contudo se diluíram. Para voltar-me ao Senhor e não a mim, falta-me a consciência de que a verdadeira dignidade, de filha de Deus, não é a da terra, mas a da procura do interesse da alma, por isso o perdoar sempre, ainda que me machuquem e me pisem no coração.

Tenho experimentado certas situações em que, de imediato, me recordo que só me fere a honra aquilo que me escurece a alma. E isso me dá uma liberdade de Ressurreição. Creio ser um momento como o dos discípulos de Emaús, relatado por São Lucas (24, 13-35), que sentiram o coração arder, quando o Senhor lhes falava pelo caminho e explicava as escrituras.
Feliz Páscoa, gente querida! Uma santa semana! Que os que creem e os que não creem experimentem a claridade da madrugada de Jerusalém celeste.

MARIA CRISTINA CASTILHO é professora e cronista


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