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Maria Cristina Castilho: Uma questão de prudência

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE | 21/02/2019 | 07:30

Gostei muito da atitude de Dom Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz, religioso capuchinho e Arcebispo Metropolitano da Paraíba, em publicar decreto direcionado aos membros daquela arquidiocese, proibindo-os de ficar acompanhados de crianças, adolescentes e adultos, em situação vulnerável, em lugares reservados. A nova normativa entrou em vigor em seis de fevereiro. Dentre as medidas determinadas no decreto estão a proibição de que as paróquias ofereçam alojamento a menores e adultos vulneráveis sem a presença dos pais ou responsáveis e que confissões e/ou atendimentos espirituais realizem-se em espaços adequados para tal, em confessionários ou em locais dentro das igrejas em que seja possível garantir segurança e visibilidade. É a Igreja fazendo a sua parte.
A atitude de Dom Manuel demonstra seu compromisso com o bem e a verdade e é, ainda, uma medida de segurança para os Sacerdotes, pois há quem deseja, através da maledicência, denegri-los. Difamação não falta.
É muito sério o abuso sexual infanto-juvenil e as sequelas ficam para uma vida inteira. Não é, no entanto, um assunto específico de membros do clero – é mínima a porcentagem de padres envolvidos com abuso -, mas muito mais de diferentes segmentos da sociedade e, infelizmente, o maior índice se encontra dentro das famílias. Seria sensata uma medida como do Arcebispo em todos os trabalhos com crianças e adolescentes, resguardando-os de intimidades funestas. Em relação à Igreja, que se estenda a leigos que atuam, por exemplo, junto a creches. Considero coerente que, ao se saber de criança que sofreu algum tipo de abuso sexual, a instituição, que a acolhia, responsabilize-se por acompanhá-la, com os profissionais adequados, até a maioridade. Segundo a psicóloga Ana Cristina Codarin Rodrigues, o abuso causa: ausência do eu, provocando um grande vazio e fazendo que o abusado fique no silêncio e na distância nas atividades em grupo. É nítida, no comportamento da vítima, a questão da desproteção, da submissão ao desejo de terceiros, da erotização inadequada, da dificuldade em estabelecer vínculos, do comportamento sedutor com adultos, da falta de emoção e do sentimento de culpa. Ou seja, a criança abusada é “preparada” para todos os tipos de uso.
Cruel o abusador e, também, o entorno que lhe dá responsabilidade sem o acompanhar.

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE é professora e cronista

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE ARTICULISTA

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE
ARTICULISTA


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