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Martinelli: 08 de março e a busca pela igualdade das mulheres

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - opiniao@jj.com.br | 04/03/2018 | 05:10

Celebra-se na próxima quinta-feira, oito de março, o Dia Internacional da Mulher porque foi nessa data, em 1857, que ocorreu a primeira greve liderada por mulheres. Na ocasião, as operárias de uma fábrica em Nova Iorque, nos Estados Unidos, protestando contra a pesada jornada de trabalho e os baixos salários, recusaram-se a sair do estabelecimento, vindo os proprietários a colocar fogo no prédio, provocando a morte de cento e vinte e nove trabalhadoras queimadas e ferimentos em muitas outras. É por isso que a comemoração tem um significado especial em todo o mundo, pois se constitui no marco simbólico da luta feminina por melhores condições de vida, vinculada às reivindicações por uma convivência mais justa e igualitária. Trata-se efetivamente de uma comemoração de suma relevância, posto que objetiva promover o ativismo contra as agressões ao sexo feminino, notadamente quando estas ocorrem no espaço doméstico; contra a discriminação nos mais variados setores, inclusive o profissional e principalmente, revelar-se num instrumento de permanente busca da isonomia legal.

(Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí)

João Carlos José Martinelli é advogado. (Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí)

Torna-se imperioso que lutemos com obstinação pela construção de uma sociedade coerente, na qual homens e mulheres possam viver, com respeito e amor, as suas desigualdades sexuais. Tanto que a pobreza no mundo não vai ser erradicada enquanto perdurarem as diferenças entre homens e mulheres no acesso a educação, saúde, mercado de trabalho e patrimônio, já alertou o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa). “Muitos líderes defendem o livre comércio para estimular o crescimento econômico. Chegou o momento de conclamar ações que liberem as mulheres da discriminação, da violência e dos problemas de as’de que elas enfrentam todos os dias” afirmou Thoraya Ahmed Obaid, diretora-executiva do órgão. Por outro lado, são inúmeros os exemplos de sucesso de algumas que estão ocupando com manifesta competência cargos de alto nível e nos mais diversos setores. Cite-se, a título ilustrativo, que a própria Igreja Católica Apostólica Romana deu um passo em direção à igualdade de direitos para as mulheres ao nomear as duas primeiras teólogas a integrar a equipe de consultores do Vaticano em 2006. “Elas não foram escolhidas porque são mulheres. Elas foram escolhidas por sua competência. É bastante positivo e estou muito feliz. As mulheres podem trazer sua sensibilidade a certas questões em que os homens podem ter um ponto de vista diferente”, disse o cardeal Georges Cottier, teólogo do Vaticano e ex-presidente da comissão ao jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”.

Apesar de ainda sofrerem grandes preconceitos e discriminações, as mulheres já conquistaram espaços importantes na sociedade brasileira. O que antes parecia protesto isolado e passageiro se transformou em consciência coletiva das suas necessidades de plena inclusão social. Um fato a ser comemorado no Dia Internacional da Mulher, permanecendo, no entanto, a certeza de que ainda há muitas questões a serem resolvidas para que a igualdade entre sexos se consagre definitivamente em nosso país. Espera-se assim que as legislações sejam adequadas ao princípio de isonomia e efetivamente aplicadas para que as desigualdades deixem de existir. Não há nenhum fundamento que as justifique, a não ser argumentos oriundos de pura ignorância e de mentalidades ultrapassadas, embasadas em puro machismo, que ainda proclamam uma eventual supremacia do sexo masculino.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, professor universitário e presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)


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