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Martinelli: “12 de junho: reflexões sobre a importância do namoro”

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 10/06/2018 | 05:30

Numa história ligada à criatividade e ao comércio, surgiu no Brasil em 1948, por iniciativa da loja “Exposição Cliper”, o DIA DOS NAMORADOS, 12 de junho, quinta-feira próxima. Trata-se de uma celebração internacional, já que é festejada nos Estados Unidos e Europa, porém mais de quatro meses antes, no dia 14 de fevereiro, sob a denominação de “Valantine’s Day”. Ocorre que em Roma, na Itália, no ano 270 a C., um bispo chamado Valentino unia secretamente os apaixonados, contrariando a ordem do imperador Claudius, que não queria que os homens se casassem, porque depois nenhum queria ir à guerra, preferindo ficar com a esposa. Assim, o soberano ordenou para que o religioso fosse executado e enquanto estava na cadeia, esperando seu fim, a filha do carcereiro, que era cega, apaixonou-se por ele. Misteriosamente, ela voltou a enxergar, mas Valentino foi morto no dia 14 de fevereiro e a partir daí, em sua homenagem, foi criada essa data solene. Em nosso país, outra figura santificada é homenageada nessa ocasião.

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Trata-se de Santo Antonio, cuja fama de casamenteiro é bastante divulgada, bem como a de que ajudava as moças pobres a formarem seus dotes para conseguirem se casar. Entretanto, o que efetivamente contribuiu à concepção brasileira foi o empenho dos comerciantes e apesar do seu forte apelo consumista, prevalecem nesta ocasião momentos de flagrante romantismo e de juras de amor, circunstâncias benéficas a qualquer relacionamento entre um homem e uma mulher, bem como a troca de presentes. Para nós, a data constitui uma excelente ocasião para refletir sobre a importância do namoro, especialmente na vida dos jovens, que estão começando a trilhar os caminhos do amadurecimento, do amor e a descobrir os encantos e as decepções dessa tão antiga e sempre maravilhosa forma de entrosamento entre sexos opostos. O consagrado psicoterapeuta de adolescentes, Içami Tiba, destacou tal circunstância:- “Namorar é fundamental. O jovem está deixando seu núcleo familiar em busca de seus próprios valores e interesses. Isso inclui, entre outras, a escolha da pessoa com quem irá conviver para o resto da vida. Como o namoro nada mais é do que tentativa de relacionamentos que, através de acertos e erros, vai ajudando nessa escolha, é melhor que se namore e ‘desnamore’ muitas vezes, do que, mais tarde, se case e descase (in “Família Cristã”- 06/92- p. 50).

Efetivamente, os namorados buscam determinados rumos para encontrarem a estrada definitiva que os levem a uma junção sólida, opção extremamente séria, razão pela qual, necessita de preparação que os conduza os a concretizá-la, cientes de sua importância, tanto no aspecto legal, como no espiritual. No primeiro, ressalte-se que o art. 1566 do Código Civil Brasileiro dispõe que os cônjuges, pelo matrimônio e pela união estável, contraem diversos deveres legais, a saber:  fidelidade recíproca; vida em comum no domicílio conjugal; mútua assistência; sustento, guarda e educação de filhos, e respeito e consideração mútuos. Qualquer infração a tais obrigações autoriza a parte inocente a requerer o rompimento da união.

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No segundo, destaque-se que essa ruptura da vida a dois na maioria dos casos, poderia ser evitado se colocassem o amor como motivo condutor ou força catalisadora da relação que mantém, concebendo-o também como um dom divino. Por isso, a relação necessita embasar-se num encontro de pessoas abraçadas sobre o mesmo compromisso, para o bem da espécie humana e dos próprios filhos, igualmente entrelaçada, para um aperfeiçoamento recíproco, com o auxílio físico, moral e espiritual. A verdadeira e completa harmonia se vislumbra quando, abandonando o egoísmo, homem e mulher se abrem plenamente um ao outro. Assim, namorar é uma necessidade, muito mais importante que simplesmente ficar, pois enquanto o segundo é frágil, lastreado em mera atração sexual ou fácil programa descompromissado, o primeiro pressupõe responsabilidade de uma convivência futura e duradoura, distante de aventuras passageiras e desatinadas.

*JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com).


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/martinelli-12-de-junho-reflexoes-sobre-a-importancia-do-namoro/
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