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Martinelli: “Corrupção: custo mais nocivo é o humano”

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - opiniao@jj.com.br | 20/03/2018 | 03:00

“A corrupção é o mal que exaure a dignidade e a cidadania dos povos, drena a riqueza das nações e desvia recursos que proporcionariam o bem-estar e o processo de todos para o bolso e privilégio de alguns poucos” (Paulo Adib). O nosso País é um dos mais tolerantes do mundo com práticas desta natureza, as quais são constantes e, infelizmente, perdem-se no espaço e no tempo da impunidade e morosidade da Justiça brasileira. Além disso, infelizmente, é manifestadamente tolerada pela população, sendo verificada em todos os níveis, dos pequenos delitos diários aos grandes desvios financeiros no poder público e privado, constituindo numa crueldade sem limites. Seus efeitos são extremamente danosos. Invocando Stuart Gilman da Uncac, na sigla em inglês da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção: “O mais nocivo custo da corrupção é humano. A corrupção corrói o elo da sociedade, degrada instituições públicas e enfraquece o ambiente de investimentos. E o impacto maior recai sobre a população mais vulnerável. Este é o custo real: crianças sem educação, doentes sem acesso a serviço de saúde e pequenos negócios que não conseguem sobreviver”.

A tese de que as pessoas são suscetíveis a ceder a alguma forma de corrupção já foi defendida em congressos mundiais de psiquiatria, sendo a ganância a principal motivação, entendendo assim que isso é um fenômeno humano que em alguns momentos assume caráter patológico. O livro “A cabeça do brasileiro”, do sociólogo Alberto Carlos Almeida, escrito a partir de pesquisa que captou os “core values” (valores enraizados) da sociedade brasileira, demonstra que, quanto mais baixa a escolaridade, maior a aceitação das práticas corruptas, as quais, portanto, não existem por culpa exclusiva de uma elite política perversa, mas são aceitas por amplos segmentos sociais. Eliminá-la por completo não será possível, mas devemos controlá-la e preveni-la. As pessoas precisam combatê-la, denunciá-la e, principalmente, não aceitá-la como se fosse uma espécie de característica de nossa cultura. A sua estagnação se inicia com a conscientização de impedi-la, cobrando punição coerente dos órgãos responsáveis aos infratores e evitando políticos já condenados por esses delitos.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, professor universitário e presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)


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