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Martinelli: Hoje é Dia Internacional do Homem

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 15/07/2018 | 06:00

Quem nunca ouviu a brincadeira de que a mulher tem um dia só para ela, mas os homens têm o resto do ano para eles? Gozações à parte, agora os eles realmente já têm uma data exclusivamente deles, cuja comemoração deixa muito a desejar, ou seja, passa quase desapercebida, embora o comércio comece a divulgá-la. O Dia Internacional do Homem é celebrado a 15 de julho e foi criado há dezesseis anos pelo ex-presidente russo Mikhail Gorbachev e apoiado pela Organização das Nações Unidas em Viena. E se no Dia Internacional da Mulher descreve-se a luta pela emancipação feminina, a do Homem se “constitui numa excelente ideia para equilibrar os gêneros”, de acordo com a diretora da Secretaria de Mulheres e Cultura de Paz da UNESCO, Ingeborg Breines. A celebração deve priorizar aspectos como a melhora da saúde (especialmente dos mais jovens), a melhora da relação entre sexos e a promoção da isonomia entre eles. Por isso, são objetivos básicos dessa comemoração: promover modelos masculinos positivos, não apenas de estrelas do cinema ou esportes, mas de homens do dia-a-dia cujas vidas são decentes e honestas; comemorar as contribuições masculinas positivas para a sociedade, comunidade, família, casamento, guarda de crianças e meio-ambiente; concentrar sobre a saúde do homem e seu bem estar social, emocional, físico e espiritual; destacar a discriminação profissional contra os homens nas áreas de serviços sociais, nas atitudes e expectativas sociais e no direito; melhorar as relações de gênero e promover a igualdade de gênero e criar um mundo melhor, onde as pessoas possam se sentir seguras e crescer para alcançar seu pleno potencial.

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Assim, o Dia Internacional do Homem tem objetivos muito bons e bem definidos, os quais precisam ser divulgados. E aproveitando a data, ressalte-se que é preciso manter uma reflexão permanente sobre o papel que cada um -homem e mulher- deve representar no plano de Deus que os criou como parceiros, à sua semelhança, para participarem juntos, sem opressão de um sobre o outro pela construção de um novo mundo novo e plenamente justo, onde os direitos sejam efetivamente iguais. Vamos todos juntos ampliar essa verdadeira concepção. É preciso que os cidadãos de bom-senso se esforcem para conquistarmos o pleno direito de igualdade entre todos independente do sexo e assim construirmos um mundo mais justo onde o preconceito seja totalmente banido, excluindo-se a fraqueza cultural que teima em ditar o masculino como o mais forte, implantando-se políticas de combate a qualquer tipo de discriminação. Necessitamos alcançar uma sociedade nova, de cooperação e parceria, de respeito às diferenças, para que se chegue à unidade dos contrários, ao equilíbrio dos opostos, à isonomia de anseios e oportunidades. A cidadania plena não pode se perpetuar em sonhos, mas se transformar em realidade através de conquistas e enfrentamento dos desafios que os costumes e tradições anacrônicos originam.

CORA CORALINA E A CARIDADE
Com o intuito de reforçar o sentimento de altruísmo entre os brasileiros, foi criado o Dia da Caridade no Brasil, oficializado com a Lei nº 5.063/1966, sendo que essa celebração ocorre em 19 de julho em todo o mundo. A data objetiva conscientizar as pessoas sobre a prática e difusão da fraternidade, como meio de desenvolvimento de auxílio e colaboração com o próximo. Em reverência à comemoração, transcrevemos a poesia “A Caridade de alguém” de Cora Coralina: “Numa pedra, sentada e perdida, /Na minha vista, triste e sofrida, /Era eu ainda, pequena criança, /Muito pobre, sem amor nem esperança. //Fora enviada, a dar um recado, /Mas meu caminho, estava traçado, /Com fome, sem qualquer alento, /Sentar-me naquela pedra, único pensamento. // Alguém, por aquele caminho passou, /De cesto do almoço que transportava, /Retirou um pouco de bacalhau, e, uma batata. //Fora, a caridade de alguém, / Quando os outros me olhavam com desdém, / Quem me olhou com certo carinho, /Me deu alento, para seguir o meu caminho!…”

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI


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