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Martinelli: O grande valor da amizade não pode ser desprezado

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 22/07/2018 | 03:40

Comemorou-se na última sexta-feira o DIA DA AMIZADE. Essa celebração não é oficial no Brasil, mas já é reconhecida por algumas entidades e por alguns cidadãos. Foi criado pelo filósofo e sociólogo argentino Enrique Ernesto Febbraro, que entusiasmado com a corrida espacial nos anos 60, decidiu prestar uma homenagem a humanidade por seus esforços em estabelecer vínculos para além do planeta Terra. Durante um ano, ele teria divulgado o seguinte lema: “Meu amigo é meu mestre, meu discípulo e meu companheiro”. Algum tempo depois, com a chegada do homem à Lua em 20 de julho de 1969, ele escolheu essa data para fazer uma festa dedicada à amizade. O propósito maior do evento é ressaltar a relevância da autenticidade no relacionamento entre os seres, despertando-nos para aspectos essencialmente humanos numa época em que predomina uma cultura manifestamente consumista, onde os bens materiais se sobrepõem nitidamente aos espirituais. Efetivamente, a prevalência de um egoísmo desenfreado tem fechado as portas para os necessários diálogos com vizinhos, parentes e conhecidos próximos, que muitas vezes nos querem bem. A comodidade derivada da visível alienação característica de nossos dias provoca uma inadvertida troca de valores: um capítulo de novela acaba tendo mais importância do que uma visita a alguém que estimamos. Aliás, evitamos tais encontros em determinadas ocasiões, preocupados com o eventual prejuízo que a nossa presença acarretará no acompanhamento pelos outros de seus programas de TV preferidos. E embora a informática nos aproxime até daqueles que estão no Exterior, em poucos segundos, não sabemos o que se passa com quem mora ao nosso lado.

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Recordamos com grande felicidade do nosso tempo de crianças no qual nos reuníamos todos os fins de tardes com cadeiras nas calçadas, pais, vizinhos e até amigos de tenra idade. A alegria era conjunta e todos se sentiam bem em compartilhar aqueles momentos juntos, onde crescíamos afetivamente, circunstância essencial para a nossa auto-estima. Infelizmente, o bem-estar individual vem ofuscando qualquer projeto que tente alcançar a felicidade coletiva, levando nosso país a uma situação de extrema gravidade, onde persistem atos de violência, corrupção e impunidade, acendendo uma quase permanente situação de miséria e desesperança. Aproveitemos, pois, a ocasião para refletirmos sobre o critério ético cristão: quando formos capazes de pensar na satisfação de todos e não apenas nas vantagens pessoais, iremos superar a conjuntura moral do mundo e, em conseqüência, as dificuldades econômicas, sociais e tantas outras que afligem o homem atualmente. Infelizmente, as funções de um amigo – dar um sorriso, um gesto de compreensão, um perdão, uma atenção, um cumprimento – estão se exaurindo no fechamento provocado pelo individualismo reinante e equivocadas visões de que ter e aparecer são mais meritórios do que ser. No entanto, não podemos nos esquecer do que está na Bíblia: “Quem tem um amigo, tem um tesouro”

Para Maria Helena Brito Isso, psicóloga clínica e terapeuta familiar, “a infelicidade existente no mundo resulta da incapacidade de as pessoas criarem vínculos de amizade e confiarem nas outras. Elas pensam em si mesmas, revelando um egoísmo exacerbado. Não se dão ao trabalho de tentar construir uma amizade. Não se arriscam. Preferem ficar sozinhas. Há uma carência de sentimentos positivos relacionados às outras pessoas. Por que é tão difícil alguém encontrar o lado positivo do outro? Quando os homens descobrirem o valor da amizade, a vida se tornará melhor, porque vale a pena sentir a felicidade de contar incondicionalmente com alguém” (Família Cristã- 06/1993- p. 15).

O nobre oficio de escrever

25 de julho é o Dia Nacional do Escritor. Foi instituído em 1960, após o sucesso do I Festival do Escritor Brasileiro, organizado naquele ano pela União Brasileira de Escritores, por iniciativa de seu presidente, João Peregrino Júnior, e de seu vice-presidente, Jorge Amado. Uma data de grande relevância por reverenciar os que escrevem, por ofício, por prazer, pela junção desses dois aspectos e principalmente por transmitirem idéias, sonhos, fantasias, realidades e tantos outros atributos através das palavras, propiciando-nos entretenimento e educação. Mesmo com a utilização plena e quase total da internet, mantém-se fiéis ao nobre ofício de escrever, perpetuando assim nossa história, nossas tradições e nossa cultura.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI


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