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Martinelli: os vilões da vida

João carlos josé martinelli | 29/05/2018 | 04:00

Grande parte da população está revoltada e envergonhada com o comportamento de vários homens públicos em geral. Os recentes fatos envolvendo atividades ilícitas continuam alarmando o país e revelam que as nossas mais venerandas instituições estão sendo atingidas pela ganância e pela corrupção. As desigualdades prevalecem e a indignação maior provém da indiferença dos órgãos oficiais com as questões sociais. Infelizmente, essas nuvens sombrias parecem pairar de modo permanente, afastando quaisquer sinais de esperança. Efetivamente não dá mais para suportar o drama da fome, o desemprego, o alastramento das doenças, o descaso com a educação e a violência. E agora a revelada inércia e desestrutura do governo diante da greve dos caminhoneiros, provocando consequências graves para os mais pobres.

(Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí)

(Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí)

Precisamos, por isso, intensificar os esforços para reconstruir o Brasil. Para tanto, é urgente deixarmos de lado o comodismo e o egoísmo, mudando nossos modos de pensar e agir, e lutarmos decisivamente pela busca de caminhos que garantam uma vida digna à maioria dos brasileiros e não apenas a uma minoria privilegiada. O preocupante momento político que estamos vivendo suscita saídas urgentes para solucionar a grave crise que impede que todos tenham terra, trabalho, moradia e condições para exercer a cidadania.

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Ao pesarmos o ameaçado cotidiano, verificamos a imediata necessidade da transmissão dos verdadeiros valores, para se situar os parâmetros do certo e do errado. Tais princípios básicos, além dos pertinentes à ordem e ao Direito, devem servir como referências ao ser humano, tornando-o eticamente responsável e ao mesmo tempo próximo, solidarizando-se com aqueles com quem convive. Acrescente-se a esses aspectos, como asseverou certa vez Dom Luciano Mendes de Almeida, que “as profundas raízes da fé em Deus, sustentam a paciência, a coragem e a certeza de que o amor vale mais e o bem há de superar o mal”. Imprescindível que o povo se organize e procure soluções ao seu alcance, reivindicando, fiscalizando e cobrando de nossas autoridades a satisfação de seus anseios constitucionalmente garantidos. E, amparando-se em mensagens cristãs, forçar a Nação para que a saia da deriva e tome um rumo certo, que condicione cada cidadão ao respeito por si mesmo e ao seu irmão.

Neste momento tão importante de nossa história, não nos poderá faltar coragem para recolocarmos os alicerces à construção de um Brasil justo, unindo-se forças para não nos omitirmos na defesa dos preceitos evangélicos na vida social, econômica e política, participando ativamente na modificação de estruturas injustas e corruptas, tornando possível um projeto comprometido com a distribuição de renda e de combate às concentrações, capaz de diminuir os contrastes entre seus habitantes. E exigirmos mais seriedade de nossos representantes, deslocando-os do eixo da disputa dos lamentáveis ataques pessoais para uma discussão de programas de governo, que eleve o nível dos debates e reacenda a expectativa da população num futuro mais promissor.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário e presidente da Academia Jundiaiense de Letras


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/martinelli-os-viloes-da-vida/
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