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Martinelli: Ramos, momento para avaliarmos nossas posturas.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 24/03/2018 | 20:04

A Semana Santa, que se inicia hoje com o Domingo de Ramos (um evento da vida de Jesus mencionado nos quatro evangelhos canônicos: Marcos 11:1, Mateus 21:1-11, Lucas 19:28-44 e João 12:12-19) e se estende até a Páscoa, mais que simples representação histórica ou celebração religiosa, constitui-se numa época de necessárias reflexões, principalmente pela grave crise moral que afeta nosso país. Com efeito, os fatos que nela se revivem, acabam por atualizar em cada um de nós, os sentidos de solidariedade, de fraternidade e principalmente, de Justiça Social.

Atualmente, na maioria dos países, prevalecem ideologias voltadas exclusivamente para o desenvolvimento econômico. No entanto, elas guardam em seu cerne um caráter manifestamente perverso: os que se alijam do mercado e dos bens nele produzidos, são tidos como incompetentes, enquanto uns poucos, financeiramente abastados, constituem uma elite privilegiada, que se afasta da maioria a qual considera inepta e incapaz de vencer os desafios cotidianos, por isso mesmo, merecedora de desprezo e de desrespeito aos seus direitos básicos.

Os que passam a vida exclusivamente buscando poder e dinheiro, quando alcançam seus objetivos, são mais respeitados do que aqueles que procuram uma convivência fraterna, igualitária e solidária. “TER é mais importante do que SER” parece ser a motivação consolidada nos dias de hoje e para se atingir esse fim, não interessam mais os meios. Deixam-se de lado aspectos morais, éticos e religiosos, sendo que o bem jurídico de maior proteção – a vida – transformou-se em algo descartável, quase que desprovido de qualquer valor.

A mera imagem de que o sucesso é vital, passou a dominar a mídia, não importando o que se faz para obtê-lo. Em busca de celebridade, abandona-se a moral, mata-se a cultura e vale até concessões sexuais. Esse quadro criou uma sociedade injusta e excludente. As desigualdades sociais são cada vez mais gritantes e o egoísmo desenfreado acaba por direcionar ações, atitudes e até gestões políticas, que substituem o interesse social pelas aspirações individuais de seus titulares.

Aproveitemos este Domingo de Ramos para avaliarmos nossas posturas. Verificarmos se estamos mais voltados para nós mesmos, fechados num individualismo muito grande ao invés de espelharmos respeito e afeição ao próximo. Precisamos, através de atitudes concretas, modificar o nebuloso quadro pintado pela insensatez humana e escudar-nos em Jesus, que morreu para nos salvar e ressuscitou, para nos redimir. Portanto vivemos nestes dias Santos, um privilegiado tempo de encontro com Deus; época de pararmos e fazermos uma revisão de vida, de aprofundarmos a nossa história pessoal e compará-la à própria história de Cristo; momento de destacarmos o ato supremo de Amor, nunca visto antes e que nunca poderá ser visto depois. Seus ritos cheios de beleza, de encantamento litúrgico e de mistério, são celebrativos de ocorrências que têm muito a ver com as esperanças e angústias dos dias em que vivemos.

(Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí)

(Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí)

A título meditação, invoquemos trecho de artigo de autoria de Maria Helena Brito Izzo, psicóloga clínica e terapeuta familiar, publicada recentemente na revista “Família Cristã”:- “Crescer não é só ter sucesso, poder e dinheiro. Na hora da morte, ninguém leva os bens consigo. Leva as vivências, as emoções e s sentimentos que cultivou. Diante dessa realidade, as pessoas devem refletir, quando precisam sair de uma crise, para redescobrir os princípios, os valores, os sentimentos e os sonhos.”

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, professor universitário e presidente da Academia Jundiaiense de Letras


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/martinelli-ramos-momento-para-avaliarmos-nossas-posturas/
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