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Nalini: Matamo-nos porque queremos

JOSÉ RENATO NALINI - opiniao@jj.com.br | 19/07/2018 | 05:07

A civilização do consumismo, do comodismo e da irresponsabilidade conduzirá a humanidade à extinção. Nada nos afeta, a obrigação de cuidar do planeta é do governo e nós elegemos, preferencialmente, quem prefere cuidar do próprio quintal. Com isso a Terra se torna uma esfera coberta e cercada de resíduos. De lixo! Um dia nos confundiremos com ele e não haverá mais salvação. Coisas aparentemente banais produzem cenário nefasto. Pense-se no inofensivo canudinho de plástico. Se cada um de nós usar um por dia, o que é bem viável, depois de um ano o consumo será superior a 75 bilhões de unidades. Nos Estados Unidos, são 500 milhões por dia. Isso representa 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos destinados aos oceanos. A previsão mais otimista é que, em 2050, 99,99% das espécies vivas marinhas desaparecerão. São informações da ONU, que é uma voz clamando no deserto ante a insensibilidade geral.

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Em 2015 foi veiculado um vídeo da bióloga Christine Figgener puxando canudinho plástico de mais de dez centímetros da narina de uma tartaruga marinha. Em junho de 2017, a ONU Meio Ambiente pensou numa consulta pública para a redução do uso de plásticos descartáveis. Pois não é só o canudinho. A praga dos cotonetes é outra. E as fraldas descartáveis, tão inocentes, ajudam a envenenar o mundo. Pouca gente presta atenção ao que fizemos de nosso mundo. A facilidade de repor tornou quase tudo descartável. Isso causa reflexo até mesmo na formação das famílias. Maridos e mulheres são hoje descartáveis para a moralidade complacente de uma legião de moderninhos.

A ONU alerta sobre os dez resíduos que mais poluem as praias: copos, pratos, garfos, facas e colheres plásticas. Sacolas de plástico. Embalagens de alimentos. Tampas de plástico. Garrafas plásticas. Bitucas de cigarro, garrafas de vidro, latas, canudos e sacolas de papel. Não adianta tentar manter limpo um pequeno espaço diante de sua casa de praia. A água está em constante movimento. Quem sujou a quilômetros de distância faz a sua sujeira surgir diante de quem se considera limpo. Já acabamos com a atmosfera, com as matas, com o solo, extinguimos a biodiversidade com agrotóxicos em abundância. Agora contemplamos o mar. Conseguiremos também acabar com ele! Continuemos!

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista


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