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Matias Aires e Jundiaí

JOSÉ RENATO NALINI | 29/03/2020 | 05:00

O que tem a ver Matias Aires com Jundiaí? Primeiro, há de se recordar quem foi Matias Aires. Seu nome completo era Matias Aires Ramos da Silva de Eça (1705-1763). Nasceu em São Paulo, capital e escreveu o célebre tratado “Reflexões sobre a Vaidade dos Homens”. Tema atualíssimo, embora produzido no século 18.

Foi um bestseller à época. Tanto que publicado em 1759 e reeditado em 1761, 1778 e 1786. A quinta reedição data de 1920, ou seja – da primeira à quinta, um século e meio de ostracismo. Curiosidade: sua irmã, Teresa Margarida da Silva e Orta foi a autora do primeiro romance brasileiro: “Aventuras de Diófanes”.

Ao analisar sua obra – a de Matias Aires – Fidelino de Figueiredo escreveu: “Em cerca de dois séculos de literatura, que neste volume historiamos, não encontramos escritos tão ricamente dotados do poder de introspecção e do de expressão, como neste esquecido paulista, que é de certo das mais valiosas contribuições do Brasil colonial para o cabedal literário da metrópole”.

O vínculo com Jundiaí é que a mãe de Matias Aires, Catarina, era bisneta de Rafael de Oliveira, considerado o fundador de nossa cidade. Ernesto Ennes, que biografou Matias Aires, faz menção ao fato: “Desde o seu avô, Alberto de Oliveira de Horta, que no Brasil prestou assinalados serviços à ação colonizadora dos portugueses, até ao seu bisavô, Rafael de Oliveira, fundador de Jundiaí, nenhum título a torna (Catarina) mais merecedora, nenhum escudo de armas a nobilita mais, e a torna credora e digna de preito reconhecido de todas as gerações, como o de ter gerado nas suas entranhas, a mais extraordinária organização intelectual, o mais soberbo, sábio e forte pensador que conta a história da literatura brasileira do século XVIII”.

Com dezessete anos incompletos, Matias Aires matriculava-se na Faculdade de Direito de Coimbra, em 1º.10.1722. “Longe, porém, estavam de corresponder à sua expectativa os estudos universitários nesta época. A Universidade de Coimbra atravessava a crise mais profunda e a decadência mais desoladora. Os seus métodos de ensino, os mais obsoletos, as matérias professadas as mais retrógradas, os sistemas e preceitos os mais antiquados e a ordem e a disciplina as mais dissolventes e descuradas”.

Voltaremos a Matias Aires. Mas é interessante observar que foi esse modelo coimbrão que Dom Pedro I importou, em 1827, para a criação das duas primeiras Faculdades de Direito no Brasil.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS 2019-2020.

JOSÉ RENATO NALINI


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