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Mentiras no CV e justa causa

VÂNIA MAZZONI | 31/07/2019 | 07:31

Essa semana li várias notícias sobre a demissão por justa causa de um funcionário que havia mentido no currículo, apresentando um certificado falso de conclusão de curso. Mesmo trabalhando há dez anos na empresa, teve o recurso de indenização negado na Justiça do Trabalho. Outros casos de falsificação de certificados foram denunciados na empresa e os colaboradores envolvidos foram demitidos por justa causa.

O que me causou espanto foi a comoção pública que questionou a empresa pelas demissões e a justiça trabalhista pelas decisões, já que o colaborador serviu ao trabalho por tantos anos. Li frases do tipo: “ah, mas se ele era um bom funcionário a empresa agiu errado”, “a empresa deveria ter verificado isso antes, agora não faz sentido demitir” ou ainda, “a empresa prejudicou o funcionário só por uma mentirinha no currículo”. Tudo o que li me fez pensar sobre quais são nossos valores e o que andamos defendendo. Só quero lembrar que falsificar documentos é crime – e ponto final.

Eu entendo a necessidade de quem está no mercado de trabalho em preencher os requisitos de uma vaga. É comum os casos onde os candidatos omitem, acrescentam ou exageram em alguma informação.

Isso não acontece só aqui, o presidente do grupo Yahoo, Scott Thompson, deu informações “erradas” sobre suas credenciais acadêmicas e o ex-presidente da Hungria teve que renunciar ao cargo após ser acusado de plagiar sua tese de doutorado. Veja a mancha na carreira destas pessoas, imaginem se essas verificações começarem a acontecer no Brasil com profissionais que ocupam altos cargos públicos ou privados.

Se você “maquiou” um pouco seu currículo, pense bem se realmente não vale a pena rever e fazer uma versão mais realista; ainda dá tempo. Hoje com o uso da tecnologia as equipes de RH – ao menos a minha equipe – estão preparadas para captar mentiras no currículo. Claro, não são especialistas em documentos fraudados, mas são treinadas para identificar qualquer divergência entre o que está no currículo e o que foi dito na entrevista.

Quero lembrar aos que estão desprovidos de ética que no âmbito trabalhista mentir no currículo pode gerar justa causa, e no âmbito penal pode responder por crime de falsidade ideológica. Vale a pena fazer uma reflexão sobre o que você quer para sua vida e para sua carreira. Por que não correr atrás de cursos para tornar aquela mentirinha habitual em formação de verdade? A escolha é sua.

VÂNIA MAZZONI é diretora de RH. Site: www.novarh.com.br / E-mail: marketing@novarh.com.br


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