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Messias Mercadante: Desafios para o próximo presidente

MESSIAS MERCADANTE DE CASTRO | 29/08/2018 | 05:30

A história das economias nos revela lições que, quase sempre, governos populistas não somente deixam de considerá-las mas, mais que isso, persistem nos erros cometidos no passado, priorizando projetos que os levem à permanência no poder, independentemente, dos efeitos negativos no futuro para a sociedade. Foi exatamente isso que aconteceu com o Brasil.

O crescimento econômico ou ainda, mais significativo, o desenvolvimento econômico de um país, deve acontecer sobre bases reais e sustentáveis, para que o “multiplicador da atividade econômica” se prolongue ao longo do tempo e produza aumentos sistemáticos do emprego, da renda, do produto, dos investimentos, das receitas tributárias e da riqueza. Qualquer atalho superficial, como por exemplo o aumento substancial de crédito para consumo nos segmentos de baixa renda da sociedade, produz um bem estar social e um aumento da atividade econômica para o curto prazo, mas são insustentáveis no longo prazo.

Produzem, além de benefícios políticos para o grupo no poder, alegria no curto prazo para as famílias e tristezas no longo prazo. A travessia de uma fase para a outra é tremendamente dolorida e desafiadora para as camadas mais débeis da sociedade. O Brasil iniciou, a partir do ano 2000, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, um programa de transferência de renda para os mais pobres e, a partir de 2003, com o presidente Lula, o programa foi ainda mais ampliado, o que foi muito importante para o país.

Mais tarde, todavia, consolidaram-se programas como o Crédito Consignado, o Minha Casa Minha Vida e o Minha Casa Melhor, com créditos crescentes e sucessivos, além da capacidade de pagamento, para cerca de 38 milhões de brasileiros, o que produziu um crescimento econômico superficial e a reversão da economia mostrou os resultados desses processos, com uma grande recessão econômica, fechamento de cerca de 3,5 milhões de empresas e quase 27 milhões de trabalhadores entre desempregados e subutilizados.

Ainda respiramos porque temos uma inflação de 4% ao ano, juros baixos de 6,5% ao ano, reservas internacionais de US$ 380 bilhões, investimentos diretos dos estrangeiros próximos de US$ 60 bilhões ao ano e baixo nível de déficit externo. Porém, temos um elevado déficit fiscal e uma dívida interna insuportável, entre muitos outros problemas, como a educação, saúde, segurança, crescimento econômico e emprego. Esses serão os grandes desafios para o próximo presidente.

MESSIAS MERCADANTE DE CASTRO é professor da UniAnchieta, autor do livro “O Gerenciamento da Vida Pessoal, Profissional e Empresarial” – Ed. M. Books – SP – e gestor de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Jundiaí. E-mail: messiasmercadante@terra.com.br

MESSIAS MERCADANTE


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