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Messias Marcadante: Os juros de mercado

| 04/04/2018 | 03:44

A Teoria Econômica contida nos manuais de Economia estabelece a supremacia de duas linhas de políticas interdependentes e complementares para se combater a inflação: as políticas monetária e fiscal. A eficácia no combate à inflação depende, fundamentalmente, da aplicação, ao mesmo tempo, das duas medidas.

As ações da política econômica, a partir do final de 2016, em 2017 e neste primeiro trimestre, têm produzido efeitos positivos no combate à inflação, que terminou em 2,95% em 2017, medida pelo índice oficial – IPCA. A anualizada, a partir de março de 2017 a fevereiro de 2018, encontra-se num patamar inferior a 3%.

Temos, portanto, índices de inflação mais baixos da história econômica do País, frutos não somente das políticas monetária e fiscal, mas também resultantes de um quadro de recessão econômica jamais vivido em nossa história. É imperativo registrar que a baixa da inflação amenizou, parcialmente, o sofrimento com a perda da renda e do poder de compra dos 23,6 milhões de brasileiros, entre os desempregados e subempregados. O Banco Central do Brasil vem desempenhando, com maestria, o seu papel de “guardião da moeda nacional”, ao combater eficientemente a inflação, evitando a perda mais acentuada do “poder de compra” da moeda nacional.

A política monetária se materializa através de várias ações e instrumentos que, em seu conjunto, combatem tanto a inflação de “demanda” como a inflação de “custos”. São eles: o controle da emissão de moeda, o recolhimento compulsório sobre os depósitos bancários, o redesconto de liquidez e o open-market. Tivemos, em 2017, uma acentuada queda na taxa básica de juros – a Selic -, de 14,25% a.a. em janeiro para 6,75% em dezembro.

Essa forte redução não foi, todavia, acompanhada pelos juros praticados pelas instituições financeiras que os mantiveram elevados, provocando, a curso forçado, forte transferência de renda do setor real da economia para o setor financeiro.

Em 28 de março último, o Banco Central anunciou a redução do Recolhimento Compulsório sobre os depósitos à vista dos bancos comerciais, de 40% para 25% e de 24,5% para 20% nos depósitos da poupança. Com essas medidas, a partir de 2 de abril, os bancos terão em seus caixas R$ 25,7 bilhões a mais de recursos e há uma expectativa de que, com maior oferta de créditos, os juros de mercado venham a cair substancialmente. É o que o Brasil espera e o que desejamos.

MESSIAS MERCADANTE DE CASTRO é professor da UniAnchieta, autor do livro “O Gerenciamento da Vida Pessoal, Profissional e Empresarial” – Ed. M. Books – SP – e gestor de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Jundiaí. E-mail: messiasmercadante@terra.com.br


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