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Metrópole à beira-mar

FERNANDO BANDINI | 01/07/2020 | 05:26

Título do novo livro de Ruy Castro, “Metrópole à beira-mar – o Rio moderno dos anos 20” viaja ao passado da cidade que desenhou parte da identidade brasileira. Capital da República, o Rio de Janeiro abrigava gente do país inteiro, além de estrangeiros – muitos de passagem, outros tantos em definitivo.
A temperatura subia não só nos termômetros da cidade tropical, mas na sua vida cultural e boêmia. Óperas, balés, orquestras, blocos de carnaval, bares, livros, jornais, revistas, discos – o Rio de Janeiro abrigava de tudo e produzia em larga escala, moldando costumes, ideias e obras que se espalharam pelo país.

As histórias contadas no estilo elegante e bem-humorado de Castro mostram o Rio como o centro aglutinador de talentos e de disseminação de conceitos, modismos e arte – de artistas e “arteiros”.
Depois da gripe espanhola que, entre 1918 e 1919, matou milhares de brasileiros, o Rio acordou para uma década agitada em termos de política, costumes, cultura e novidades, muitas novidades. Foi o decênio do surgimento do rádio, dos discos “elétricos”, das escolas de samba. Da consolidação dos teatros de revista, da popularização do cinema. E das notícias impressas.

Como definiu o escritor, “era um mundo literário”, a informação vinha pelos livros e periódicos. A cidade nunca teve menos de 15 jornais diários, além de igual número de revistas semanais. As livrarias destacavam-se tanto como pontos de venda como de reunião de leitores e artistas em geral. Nesse universo impresso, os caricaturistas ocupavam espaço importante. Ilustrando livros, revistas e jornais, os desenhos dos expoentes J. Carlos, Álvarus, Raul Pederneiras retratavam a cidade que em parte se modernizava, mas que mantinha muitas de suas mazelas.

Villa Lobos, Di Cavalcanti, Ronald de Carvalho, Roquette Pinto, Ismael Silva, Bertha Lutz, Chico Alves, Eugênia Álvaro Moreira, Bidú Sayão, Gilka Machado, Pixinguinha… Os personagens retratados formam constelação de gente criativa e disposta a marcar época. E que época, recheada de manifestações, vanguardismos e histórias saborosas – como a do futuro craque de futebol, protagonista de um “atentado” contra o rei da Bélgica. Ou a do famoso dramaturgo italiano, reconhecido pelas plateias brasileiras, mas cujas peças são encenadas por produtor que não lhe paga um tostão de direitos autorais.O passeio é imperdível.

FERNANDO BANDINI é professor de Literatura do Ensino Médio.


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