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Miguel Haddad: Brasil, urgente

MIGUEL HADDAD | 31/03/2019 | 07:30

Na última quarta-feira (27), a Fundação Getúlio Vargas organizou, em São Paulo, um seminário sobre reforma do Estado e a Lei da Responsabilidade Fiscal. Segundo depoimentos de secretários da Fazenda de várias regiões do País que participaram do evento, o quadro em alguns estados já é de colapso das finanças públicas. Os salários dos servidores pararam de ser reajustados e, mesmo assim, são pagos com atraso ou parcelados. Os serviços em grande parte estão sendo sucateados.
A principal causa dessa calamidade é a maneira irresponsável dos governantes em lidar com uma questão básica: o equilíbrio fiscal. Não é uma questão difícil de entender. Pelo contrário, qualquer pai ou mãe de família que tem de lidar com o orçamento doméstico enfrenta esse desafio no dia a dia e sabe que, se gastar mais do que recebe, lá na frente vai ter um problemão.
E num país como o Brasil, o que acontece quando o equilíbrio fiscal é rompido? Exatamente o que está acontecendo, ou melhor, vem acontecendo: desemprego, sucateamento dos serviços – mesmo os mais básicos, como saúde e segurança – e uma perspectiva nada animadora, para dizer o mínimo.
As medidas tomadas nesses últimos dois anos conseguiram evitar que o Brasil caísse no abismo, isto é, falisse de vez, sem condições de honrar minimamente seus compromissos – como vimos acontecer há alguns anos, na Grécia, por exemplo – mas não conseguiram resolver o problema: o rombo nas finanças públicas continua a crescer. Essa situação já passou dos limites e brevemente será insustentável. Não há nada mais urgente do que estancar essa sangria.
Nosso País tem um potencial gigantesco, já foi saudado como a nação do futuro e, de fato, algumas vezes estivemos prestes a dar o salto que confirmaria essas predições. Mas logo depois tudo voltava à estaca zero. Daqui a pouco poderemos assistir de novo a esse mesmo filme: se as medidas necessárias não forem tomadas com a velocidade requerida, correremos o risco de mais um retrocesso.
Não dá para perdermos mais nem um dia com bate-bocas estéreis ou discursos de ódio nas redes sociais, que só servem para dividir a nação exatamente no momento em que devíamos todos nos unir para enfrentar essa ameaça.
É preciso grandeza e maturidade. O que está em jogo é o destino do Brasil e do povo brasileiro.

MIGUEL HADDAD é advogado, foi deputado e prefeito de Jundiaí

Arquivo/Jornal de Jundiaí

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