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Miguel Haddad: Quem vai ganhar?

MIGUEL HADDAD | 24/06/2018 | 05:00

A real possibilidade de vitória deste ou daquele candidato à presidência da República somente poderá ser cogitada após a definição do quadro eleitoral, o que deverá ocorrer depois da Copa. Desde já, no entanto, com a realização das eleições, é possível nomear um ganhador: a Democracia Brasileira. E essa será uma grande vitória. Afinal, nosso País atravessa, já há alguns anos, uma das maiores crises da nossa história.

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A sua força desagregadora, que tem levado a população ao desalento, é potencializada pela conjugação de duas instabilidades paralelas, na política e na economia.

Como diz o professor da American University, Matthew M. Taylor – autor de vários estudos sobre democracia e corrupção no Brasil e que viveu aqui de 2006 a 2011 -, “se pensarmos sobre os últimos cinco anos, o Brasil enfrentou a pior recessão em um século e uma crise política que consumiu o mandato de uma presidente e dois anos do mandato de Michel Temer. O escândalo de corrupção poupou poucos políticos e criou uma mobilização social que está entre as maiores do século no mundo. É uma pressão enorme sobre a democracia”.

“Todos nós estamos sujeitos a errar ao fazer nossas escolhas. Nada foge a essa regra”.

Mas, segundo ele, “institucionalmente, grande parte das instituições parece estar funcionando da forma que foram desenhadas para funcionar. Ninguém tem dúvida de que a eleição vai acontecer e que não vai haver nenhuma intervenção para mudar o regime político. A democracia está se demonstrando muito resiliente”.

Não é uma vitória pequena. Pelo contrário. É a demonstração do verdadeiro valor do regime democrático, que não vem, como muitos creem, da certeza de que sempre se vota da maneira certa. Afinal, todos nós estamos sujeitos a errar ao fazer nossas escolhas. Nada foge a essa regra.

O que faz da democracia um regime funcional é que o governante tem um prazo limitado no poder e, se sua condução não é satisfatória, ele pode ser substituído. É a possibilidade de alternância do poder que torna o regime democrático, apesar de todos os seus defeitos, superior aos demais.
Resta saber se a lição dos erros na escolha de “salvadores da pátria” do passado, que nos levou às dificuldades do presente, nos faça, desta vez, seguir o caminho da sensatez. Teríamos com isso uma dupla vitória.

MIGUEL HADDAD é deputado federal

 

Arquivo/Jornal de Jundiaí

Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí


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