Opinião

Milagres diários


A amiga Maria Inês Guarda Tafarello, a respeito de minha crônica ‘Página do Evangelho’, escreveu: “A gente vive de milagres diários. Você (...) percebe e registra esses milagres. Obrigada por compartilhar. Isso alegra nosso coração”. Tenho pensado sobre isso: os milagres de cada dia em minha história. Creio que os percebo - talvez nem sempre - pela maneira com que fui criada e é essa percepção de acontecimentos, com claridade do Céu, que me sustentam, me iluminam, me acariciam o olhar. Sou das pequeninas coisas do cotidiano plenas de simplicidade. Não viajei além das fronteiras de meu país e não sou de castelos e grandes prédios. Prefiro os lagos mais próximos e as matas nativas. Não busco distâncias, aprecio as proximidades de meu dia a dia, que me permitem cantar louvores. Embora desafine, o importante é escancarar o peito e ensolarar as emoções. Quando acordo cinzenta pelas noites mal dormidas, pelos sonhos inacabados, pelas incertezas, observo com mais detalhes as pegadas do dia e meu entorno. Encontro sempre um motivo de encanto. Como escreveu Cecília Meireles em ‘A Arte de Ser Feliz’: “Mas quando falo dessas pequenas felicidades certas, (...) uns dizem que essas coisas não existem, outras que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim”. Gosto do que escreveu Graciliano Ramos (1892-1953): “Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões”. Bem assim, é horrível caminhar sem as paixões que abrem as asas além do horizonte. Sou apaixonada pela vida que supera tantas mortes. Há, ainda, os milagres das pessoas com quem convivo ou de quem ouço falar. O menino está com 12 anos. Conheço-o desde os 8. A mãe é a avó por afinidade. A segurança dele também estava no avô. Acontece que o indivíduo se engraçou com uma mocinha. Doeu na avó e no menino. No começo da semana, ele me trouxe a sua preocupação: a mãe adoecida, domingo, estava tão fraca que caiu no banheiro.Conseguiu ajudá-la a se levantar. Relatou-me, ainda, de sorriso terno, que, ao chegar da escola, prepara o almoço com arroz, feijão, farinha e macarrão. A mãe aprecia a comida feita por ele. Que lindo! Milagre também esse jovenzinho mais preocupado em sarar a mãe por afinidade do que com os apelos do mundo adolescente. MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE é professora e cronista. [caption id="attachment_63018" align="aligncenter" width="800"] Associação Maria de Magdala - Pastoral da Mulher, sob a presidência da nossa amiga Maria Cristina Castilho Andrade, nos avisando que termina hoje o bazar da entidade, com roupas e sapatos com preços a partir dos R$ 2. O encontro será na sede da entidade, na rua Senador Fonseca, 517, das 8h30 às 17h[/caption]

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