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Mulheres e crianças até 12 anos não pagam

MARGARETH ARILHA | 18/09/2019 | 07:30

O título sugeriria tratar-se de algum tipo de ação de saúde, quem sabe, mas não é a isso que se refere: trata-se de uma estratégia de marketing do querido Paulista Futebol Clube, referência na cidade e no Estado, para buscar a ampliação de público no estádio, e começar a desenvolver uma nova geração de admiradores do futebol, porque a dificuldade com o cuidado, em notícia publicada no dia 16, neste mesmo jornal, certamente faz pensar.

O mundo está mesmo girando numa velocidade inexplicável, e circulando com ações inimagináveis. Quem diria que veríamos uma manchete dessas circulando por aqui, justo por aqui?

Parabéns pela iniciativa Paulista Futebol Clube. Você não sabe, mas está promovendo uma iniciativa que revoluciona questões de gênero.

Por quê? Porque retiram as peças tradicionais do tabuleiro, tais como: 1) mulheres podem ir livremente a um estádio de futebol, portanto, futebol não precisa ser coisa de homem; está certo, já estamos rompendo isso há muito tempo, mas fazer uma convocação livre e irrestrita à participação gratuita de mulheres é muita novidade, e bastante boa; uma forma de treinar os homens a relativizar a exclusividade e conviver com os riscos de ciúmes, inseguranças, em torno da circulação de mulheres em locais tipicamente masculinos e com presença de homens; 2) estão declarando que a presença de mulheres nos estádios é vital para que as crianças sejam bem cuidadas ( as crianças é que são o verdadeiro público alvo do clube), outra ação de denúncia involuntária de que os homens teriam dificuldades a cuidar dessas crianças sozinhos; e qual seria o temor? Bebidas, violência, brigas e agressões? Se assim for, é importante que se pense sobre isso: por que a violência no esporte? Por que a dificuldade dos pais com o cuidado? Quanto mais pudermos ampliar horizontes, expandir iniciativas, quebrando exclusividade de circulação para certos grupos da população, melhor seremos como humanidade.

Ainda que os dirigentes do clube não tivessem se atinado para a revolução de gênero que estão propondo, é extremamente salutar o que estão fazendo.

Essa experiência deveria ser registrada, analisada e divulgada por todo o país e exterior. Já pensou que maravilha se a moda pega? Aliás, temos de também pensar que as mulheres jogadoras de excelente futebol também estão chegando com tudo, e seria muito legal mostrar para crianças e adultos que todos podem apreciar aquilo que é bom, vindo tanto das mulheres como dos homens.

Todos têm direito a praticar o esporte (ou a não praticá-lo), e de apreciar um bom espetáculo, livre de estigmas e preconceitos. Parabéns Paulista!

MARGARETH ARILHA é psicanalista e pesquisadora do Nepo (Núcleo de Estudos em População Elza Berquo), da Unicampps.


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