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Nalini: Até a China, quem diria!

José Renato Nalini | 09/02/2020 | 07:00

Os chineses, que alcançam um bilhão e meio de habitantes, são os maiores produtores de resíduos sólidos descartáveis – sem eufemismo, é o que hoje costumamos chamar de lixo. Produzem duzentos milhões de toneladas por ano. O maior dentre os aterros sanitários já está com sua ocupação máxima atingida, o que só deveria ocorrer em 2025.

Foi o que levou o governo chinês a proibir o uso de plástico nas maiores cidades, prometendo que isso também chegará a todo o imenso território até 2022.

Sinal da consciência que mobilizou a liderança da República em favor de uma postura consequente com a desgraça que os seres humanos estão causando na natureza.

Até há pouco, dizia-se que a China se posicionava ao lado dos Estados Unidos, na contramão da ciência e da evidência. O ceticismo ecológico é uma ignorância inadmissível no século 21, que deveria ser aquele em que as criaturas se respeitariam e também ao hábitat que permitiu sua sobrevivência até este momento.

A ignorância é irresponsável e perigosa quando se alia à cupidez. O egoísmo, sentimento natural a quem se considera a primícia dentre os viventes, faz com que grande parte da humanidade se desinteresse do destino do próximo e descuide de assegurar que os nascituros possam respirar. É o que explica o desmatamento, a devastação, o uso de agrotóxicos e a produção incrível de poluição em todos os níveis.

Os oceanos já estão envenenados de tanta emissão de esgoto, de resíduos químicos das indústrias e do grande assassino que é o plástico. Ele não se decompõe, forma ilhas que boiam nos mares, matam a fauna, comprometem a acidez da água e inundam a Terra.

Excelente providência a tomada pela China: tem efeito pedagógico, porque ensinará as pessoas a refletirem sobre seus hábitos. O homem viveu sem plástico durante milênios e em por isso deixou de produzir conhecimento, de procriar, de passar por este efêmero período de peregrinação sobre o mundo, morada provisória de todos os vivos.

É urgente a educação da infância, ainda não contaminada pelo consumismo, para que a ecologia seja levada a sério. Sem essa conversão de alma, não haverá futuro dentro em brevíssimo tempo. Nossas crianças merecem algo melhor do que a nossa cruel irresponsabilidade.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da pós-graduação da UNINOVE e autor de “Ética Ambiental”, 4ª ed., RT-Thomson Reuters.


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