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Nem tudo muda

ANTONIO FERNANDES PANIZZA | 18/02/2020 | 05:24

Neste mundo, com novidades a cada instante, parece que tudo muda todo dia, confundindo até mesmo o significado das palavras. Não vamos nos assustar com a frequência do feedback e do compartilhar como se fossem novas expressões, mas na profissão criatividade e empenho, nunca deixarão de valer.
O avaliador que arregimenta pessoas a contratar, embora deva ver as múltiplas facetas, não deve ignorar esse aspecto, principalmente quando envolve a verticalização de serviços na produção. Sabe-se que esta serve para escapar dos custos maiores caso fossem contratos separadamente. Esta prática permite um conforto administrativo, mas pode conduzir a uma mesmice de solução, prejudicando a qualidade e até a perda de valor.

Claro que isto não é regra, mas para que a autêntica inovação esteja presente, é fundamental que os profissionais se mantenham inquietos em suas buscas de melhor produção. Na faculdade e na vida profissional, nunca pude estar livre de levar problema para o travesseiro. Trabalhar na madrugada, só ou em equipe, não acontecia toda hora, mas ninguém adoecia por estar obrigado a fazê-lo.

Quando professor de Projetos no segundo ano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, costumava lembrar aos alunos que, após o primeiro ano, não se deveria ter mais dúvida sobre a especialidade escolhida. Portanto, a postura de cada um devia começar a ser compatível com a profissão quando diante de um evento pertinente. Comparava com os estudantes de odontologia, para os quais, a partir do segundo ano na faculdade, o sorriso dos outros já não mais significa apenas uma demonstração de alegria.

Hoje em dia trabalhar noite adentro também não é incomum, e um profissional que se presa é o principal juiz da qualidade do que faz. Claro está que a busca do melhor produto implica no acesso a boas fontes de pesquisa: na arquitetura, o estudo de projetos notáveis é relevante, sob pena de se ter a oferecer resultados medíocres. No caso das construções residenciais, em pavimentos ou em condomínios, a conveniência da empresa de adotar soluções repetitivas tem ofertado aos compradores edificações que, lamentavelmente, desprezam a qualidade e as belezas do seu entorno.

O aspecto aqui abordado não pretende negar os inúmeros procedimentos de convivência. Mas, se faltar criatividade, que sempre esteve presente nas grandes obras registradas pela história, será difícil aprimorar seu campo. E o empenho, que é exigível de todos, mas costuma estar presente em poucos, os quais conseguem atender prazos e ter bom trabalho.

 

Estas importantes qualidades nunca foram deixadas de lado, e por certo continuarão presentes por mais que se adicionem novos componentes e criem infinitas terminologias que turvam a visão dos iniciantes.

 

ANTONIO FERNANDES PANIZZA é arquiteto e ex-secretário de Planejamento Urbano de Jundiaí.


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