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Nove de julho de 1932

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 18/07/2019 | 07:30

Em 1929 vivíamos o caos da Quebra da Bolsa de Nova York. Nesse cenário o Paulista Julio Prestes ganhou a eleição presidencial de seu oponente Getúlio Vargas. Prestes “ganhou mas não levou”. Na ocasião as eleições eram “diretas” porém os votos não eram universais. Além das mulheres não poderem votar, as eleições eram amplamente fraudadas.

Antes mesmo de Prestes assumir em 1930, com um golpe de estado depuseram o então Presidente Washington Luiz, e entregaram o cargo a Getúlio Vargas. Os fazendeiros paulistas eram os mais insatisfeitos e encabeçaram uma forte oposição a Vargas. Houve também grande participação de estudantes, comerciários e profissionais liberais.

Os paulistas exigiam do governo a elaboração de uma nova Constituição e a convocação de eleições para presidente. Os paulistas criticavam o autoritarismo de Vargas e sua forma de política. Queriam mais democracia e maior participação na vida política. O movimento se ampliou depois que quatro estudantes foram mortos no embate com Getulistas na invasão da sede da “Liga Revolucionária”. Foram Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo que acabaram tornando-se símbolos do movimento de 1932 (MMDC). No dia 9 de julho, Júlio Prestes ascendeu o estopim para a revolução.

São Paulo se mobilizou, milhares de pessoas tornaram-se voluntárias, moradores chegaram a doar joias e ouro pela causa e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) determinou que várias indústrias produzissem material bélico. São Paulo tinha 40 mil soldados, em três frentes de combate.

A desigualdade entre as tropas constitucionalistas e as getulistas era grande. Além do número de soldados, o arsenal era menor. Com mais de 600 mortos, principalmente paulistas, a revolução acabou, mas o ideal paulista foi vitorioso. Em 1933, foram eleitos os representantes da Assembleia Constituinte, pela primeira vez, com voto feminino.

Em julho de 1934, a Constituição foi promulgada com muitos avanços: Ampliação do princípio da igualdade perante a lei, independente de cor, sexo, idade ou classe social; voto secreto e obrigatório para todos os maiores de 18 anos; criação da Justiça do Trabalho e da Justiça Eleitoral; nacionalização das riquezas de solo e fontes d´água; proibição do trabalho infantil; criação da jornada de trabalho de oito horas diárias, do descanso semanal remunerado, das férias de 30 dias e da indenização para o trabalhador e a regulamentação os sindicatos.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e Diretor de Gestão e Sucessão Empresarial da Maxirecur Consulting, pellegrini@maxirecur.com.br


CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI
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