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Nunca tantos deveram tanto a tão poucos

FABIO JACYNTHO SORGE | 24/03/2020 | 05:00

Com a decretação do Estado de Calamidade Pública em São Paulo no último sábado em razão da pandemia do coronavírus, é impossível não tratar deste tema. Até porque, a colocação da população em quarentena é algo inédito para a nossa geração, já que a última grande epidemia no país havia sido a gripe espanhola de 1918.

Naquela ocasião, nem mesmo o Presidente da República foi poupado, Rodrigo Alves, eleito em março de 1918 para o segundo mandado, que caiu de cama “espanholado” e não tomou posse. O vice, Delfim Moreira, assumiu interinamente em novembro à espera da cura do titular, que não veio: o presidente faleceu em janeiro de 1919.

O momento atual não é para mais críticas e alardes, mas para tratar de coisas positivas. E aqui penso que seja justo fazermos um agradecimento a todos os profissionais dos serviços de saúde. São eles, médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, atendentes, farmacêuticos, biomédicos, entre outros, que estão na frente de batalha contra essa terrível epidemia.

Trabalhando em condições estressantes, muitas vezes com falta de material adequado, medicamentos e equipamentos para exames, além de expostos ao risco severo de contágio, são eles que estão em guerra por todos.

A nós, resta seguirmos à risca as orientações passadas por eles, respeitando as determinações sanitárias, de quarentena e de isolamento, para não piorarmos um quadro de epidemia que já é grave. E como se trata de uma guerra contra um inimigo invisível, impossível não pensar em outros conflitos e no agradecimento feito a outros que, como os nossos profissionais de saúde, estão lutando por nós.

Na famosa “Batalha da Inglaterra”, travada entre 10 de julho e 31 de outubro de 1940, a Alemanha Nazista tentou destruir a Força Aérea Real (RAF), com a poderosa Luftwaffe, sua força aérea, para posteriormente invadir as Ilhas Britânicas. Os números pesavam a favor dos alemães, que tinham mais aviões – quase o dobro – e mais pilotos. Todavia, com o uso do radar, uma tecnologia nova para época e de pilotos estrangeiros, os ingleses venceram a Batalha, impedindo uma invasão ao seu país.

O então primeiro-ministro da Inglaterra, Winston Churcill, proferiu a célebre frase que dá título à esta coluna. “A gratidão de todos os lares em nossa ilha, em nosso Império e certamente no mundo inteiro, exceto nas casas dos culpados, vai para os aviadores britânicos que, sem se intimidarem com as probabilidades, incansáveis em seu desafio constante e perigo mortal, estão virando a maré da Guerra Mundial com sua bravura e devoção. Nunca antes no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos.”

Aos nossos profissionais de saúde fica esta singela homenagem e o desejo de força, neste momento tão difícil.

FABIO JACYNTHO SORGE é Defensor Público do Estado de São Paulo, membro do Núcleo de 2ª Instância e Tribunais Superiores e Coordenador da Regional de Jundiaí-SP.


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