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O Brasil de 2020

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 16/01/2020 | 05:00

O Brasil de 2020 não será o Brasil dos sonhos: acreditar que nosso país irá se transformar – a curto prazo – em exemplo de transparência e retidão, berço da igualdade social, e que deixaremos de lado o preconceito e o nosso DNA voltado a levar vantagem em tudo, é pura ilusão. Pensar que nossa educação formará líderes arrojados e de caráter, que a saúde será para todos e que os direitos e deveres serão prerrogativas, é o mesmo que crer que o Papai Noel nos visitará daqui uns dias.

Forjamos o jeitinho brasileiro ao longo de séculos: aquele mesmo jeitinho que, na década de 1940, fazia sucesso em chanchadas com sambistas de roupas listadas acompanhando uma portuguesa com bananas na cabeça.

Repetido exaustivamente nos últimos tempos, e recentemente elevado ao maior problema nacional, o termo corrupção é definido como “a utilização do poder ou autoridade para conseguir obter vantagens e fazer uso do dinheiro público para o seu próprio interesse, de um integrante da família ou amigo.”

No limiar do século XVI, o governo português destacou o experiente Vasco da Gama para comandar a armada que rumaria à Índia, e que no caminho viria a descobrir o Brasil. De última hora e sem explicações, o comando foi assumido pelo inexperiente fidalgo Pedro Álvares Cabral: a mudança foi “articulada” e bem paga aos “puxa sacos” do rei D. Manuel I. Esse provavelmente foi o primeiro ato de corrupção envolvendo o Brasil, antes mesmo de ele existir.

Já há quem diga que a carta escrita por Pero Vaz de Caminha em 1º de maio de 1500 que comunicava ao rei português o descobrimento do Brasil, seja de fato o primeiro registro oficial de corrupção em nosso país. Na visão de Caminha, o texto descreve o território recém-descoberto e, ao final, solicita que seu genro, Jorge de Osório – preso por assalto a uma igreja e agressão a um padre – fosse solto. O caso é costumeiramente confundido com um pedido de emprego, mas foi, na verdade, um ato de corrupção.

O Brasil de hoje em dia não é o mesmo do ano passado: estamos passando a limpo nossa história, e nosso país está mais justo. Ainda estamos anos-luz daquilo que desejamos, mas já é um grande começo. Temos que lutar com persistência para que não retrocedamos um milímetro do aprimoramento. Precisamos forjar outra nação, baseada na liberdade, igualdade e fraternidade; punir todos os que erraram e cobrar dos que servem o povo. Devemos rever nossa nação baseando-a na família, religião e educação. E que venha 2020!

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário, diretor e gestor da Maxirecur Consulting.


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