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O estadista injustiçado

JOSÉ RENATO NALINI | 12/12/2019 | 05:00

Ainda não se fez justiça no Brasil a seu Imperador Pedro II. A criança órfã educada para reinar sobre sua Pátria surpreendeu seus súditos. Alçado a maioridade forçada, aos 15 anos já dava mostras de sua maturidade. Amou profundamente o Brasil. Como costuma acontecer, colheu ingratidão.

Foi acusado de exercer um poder pessoal, quando a ideia do Moderador foi fator de permanência de um Império estável, que competia com os Estados Unidos em seu câmbio. Governado por um sábio, um homem superior, generoso e pródigo.

Benemérito Pedro II, o povo brasileiro ainda não lhe fez justiça!

>Nada quis para si. Tudo para a Nação. Propiciou bolsas de estudo para os brasileiros com talento. Sustentou-os com seus próprios recursos. Foi obrigado a deixar o País como fugitivo, de madrugada, sem nada levar. A não ser o seu coração maltratado.

Um dia, quiseram nomear no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro uma Comissão encarregada de elaborar sua biografia. Ao tomar conhecimento disso, retrucou: – “Biografia? Não pensem nisso. Aliás, é simplíssima. No alto de uma folha de papel escrevam a data do meu nascimento e o dia em que subi ao trono; no fim, quando faleci.

Deixem todo o intervalo em branco para o que ditar o futuro; ele que conte o que fiz, as intenções que sempre me dominaram e as cruéis injustiças que tive de suportar em silêncio, sem poder jamais defender-me!.”

Culpam-no de não se interessar pela abolição. Quando sempre tentou enfrentar a chamada questão servil com prudência e atento às consequências desse gesto. Recebia os que o procuravam em audiências no Palácio e um dia um escravo lastimou sua sorte.

Pedro II respondeu que também era escravo de suas obrigações, de seus compromissos, de seus deveres e responsabilidades. Sem deixar de cuidar da alforria daquele que foi privilegiado pelo contato direto de um Imperador que não se recusava a ouvir.

Quando é que o Brasil fará justiça a seu último Imperador, que morreu de tristeza pouco tempo depois de ter sido expulso de sua Pátria?

Talvez seja por ingratidão tal que a República enfrente as crescentes dificuldades que nunca permitiram se vislumbrasse o glorioso futuro vaticinado para esta Nação.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.


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