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O inefável Dr. Jorge

JOSÉ RENATO NALINI | 03/11/2019 | 07:30

O inefável Dr. Jorge.

Há muitos adjetivos para qualificar o Dr. Jorge Luíz de Almeida. Escolhi inefável porque significa um conjunto de atributos perfeitamente aplicáveis a essa figura tão importante na vida de tantos. Indescritível, encantador, inebriante, inexprimível, indizível. Todos esses verbetes têm um pouco das características daquele que perdemos esta semana.

Já o conhecia como o Promotor Público de Jundiaí, atencioso para com todos os que o procuravam. Nos tempos em que o Ministério Público atendia, prazerosamente, a uma população sedenta de Justiça, mas também de saúde, de orientação psicológica, de alguém que a ouvisse de verdade.

Foi meu Professor de Processo Penal na PUC-Campinas, alternando com Dr. Hélio Quadros Arruda. Incentivou-me, decisivamente, a prestar concurso para a Promotoria. Auxiliou-me a superar barreiras. Quando assumi a função em Votuporanga, voltava nos fins de semana com inquéritos e processos e, sem cerimônia, ia à sua casa, em busca de aprendizado. Sempre foi bondoso, paciente e disponível.

Fizemos juntos política ministerial, na oposição que não conseguia empolgar o poder, mas com idealismo e garra. Compreendeu quando me enderecei à Magistratura e também ele foi arrebatado pelo Judiciário, onde continuou a ser uma lição paradigmática de prudência, serenidade, ética e erudição.

Precisamos registrar os episódios de sadio humor que ele propiciou e que tornaram Jundiaí uma família forense peculiar. Não se podia imaginar que aquele homem gentil, aparentemente contido, fosse capaz de tamanha criatividade.

Conservou-se lhano, polido, com sólida educação de berço, tão negligenciada em nosso universo. Pronto a resolver problemas alheios, hábil no incentivo aos jovens, formulador de soluções pioneiras. Educador que legou a melhor lição possível e a mais aproveitável: sua vida pessoal. O amor à família, o culto à sua Itapetininga, que partilhou com Jundiaí, que contraiu imensa dívida para com Jorge Luís de Almeida.

Devedores insolventes de sua bondade, só conseguiremos reduzir o imenso ônus que contraímos, se mantivermos viva e venerada sua notável memória.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS -2019-2020. Foi aluno e amigo do Desembargador JORGE LUIS DE ALMEIDA.


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