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O ladrão está de volta

Carlos Henrique Pelegrini | 21/11/2019 | 07:00

Que alegria! Depois de breve temporada na cadeia na linda Curitiba o ladrão está de volta. Segundo ele, sem ódio, mais unipotente que nunca, um Zeus no Olimpo dos acéfalos. Mesmo com provas robustas, processos legais com amplo direito de defesa,  a alma mais pura do Brasil, do planeta, quiçá do universo, saiu da “cana”, dessa vez mais equilibrado continuar sumo sacerdote de uma legião de alienados e aproveitadores,  que não atinam ou levam algum tipo de vantagem com o molusco, mesmo que seja um lanche de pão com mortadela.

Preciso crer que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), defensores da Constituição, julgaram a possibilidade de se cumprir pena a partir da condenação de segunda instância da forma mais proba, apolítica e imparcial, sempre para o bem da nação. Afinal, que culpa têm os ministros do STF de termos uma Constituição para países em avançada situação civilizatória e residirmos num Brasil com quadro de corrupção endêmica, sem falar de um Código Penal com suas raízes em 1940, assim sendo com 79 anos de remendos que o fazem ainda mais subjetivo e fora da realidade.

Para falar do Ali Babá de São Bernardo, há de ressaltar que ao longo de seu estágio encarcerado, diz ter lido muito, o que salta os olhos, até porque sempre teve orgulho de sua falta de alfabetização e dificuldades com as letras. O presidiário que já foi presidente,  foi julgado e condenado em terceira instância pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça que mantiveram a condenação imposta pela primeira instância, em Curitiba, e pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, reafirmando que existem provas robustas de que o “Cara” (alcunha dada por Barack Obama),  cometeu os crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro.

Após cumprir e desfrutar de 580 dias encarcerado numa “sala de estado” de 15m2, beneficiado pela decisão do STF, aquele que como “presidente era um ótimo torneiro mecânico”, deixou sua suíte carcerária rumo ao ócio e a vida de bravatas. No primeiro discurso, ao falar dos processos que enfrenta, o condenado garantiu não ter por que sentir culpa.

“Cá estou eu, livre como um passarinho. Durmo com a consciência tranquila de um homem justo e honesto”, afirmou o petista, que ressaltou que o mesmo não acontece com Moro nem Jair Bolsonaro. Não dá para fazer uma análise política do “capo di tutti capi”, há de se fazer uma análise psiquiátrica, de preferência no Juquerí. Ademais, com o “ex-amigo” de Rosemary Noronha solto, não faltarão piadas.

Carlos Henrique Pellegrini é professor universitário e Diretor de Gestão e Sucessão Empresarial da Maxirecur  Consulting,   pellegrini@maxirecur.com.br

 

 


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