Opinião

O milagre da padroeira


Um fato histórico, na página do livro do tempo, foi anotado em 6 de novembro de 1888, no então reinado do Brasil. A princesa Isabel, em pagamento de uma promessa, visitou a basílica, em Aparecida, e ofertou à santa Nossa Senhora, uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis, juntamente com um manto azul, ricamente adornado. Desde então, sob a proteção deste sagrado manto azul, são atribuídos muitos milagres a Nossa Senhora Aparecida. A paixão do povo pelo futebol perdedor de várias Copas do Mundo, inclusive uma final em pleno Maracanã, a arte do futebol brasileiro não conseguia se impor aos olhos do mundo. A seleção canarinho, carinhosamente chamada assim pelo reluzente amarelo predominante em seu uniforme, encantava os torcedores, mas não se consagrava como reis do futebol. Faltava uma conquista maior, um verdadeiro milagre. Veio a Copa de 58. Um time de craques, com as figuras iluminadas de Pelé e Garrincha. E só se falava da tragédia de 50. Diziam os críticos da época que os nossos jogadores privavam da maturidade necessária para vencer um mundial. Careciam de uma bagagem internacional. Bem sabemos que o futebol é um campo vasto de superstições. Cada jogador tem seu amuleto de sorte e dele não se separa jamais. Nossa seleção, sempre vestida de canarinho, vencia os jogos e ganhava ares de apego exagerado à cor amarela. Chegou a final contra Suécia, país anfitrião. Os dois times colhiam como cor oficial, o amarelo em seus uniformes. Naquela época a seleção só tinha um único uniforme amarelo. A Suécia ganhou o direito de jogar com seu uniforme oficial, por ser sede. Uma surda comoção abalou nossos atletas. Como abandonar o amarelo das vitórias? Era o prenúncio de nova tragédia. O chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, na véspera, teve um sonho, uma moção divina. Mandou comprar camisetas e pediu que não divulgassem as cores. Na preleção nos vestiários, antes da final começar, pode se perceber o ambiente angustiante com a nova cor do uniforme. O comandante Paulo Machado pediu a palavra. Contemplou o semblante de cada jogador, sem pressa. Com a voz embargada, relatou que buscou em suas preces a proteção divina para o jogo final. Na sua visão, apareceu, soberana, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, com seu manto todo azul. Mandou apresentar os uniformes. Exclamou ao ver as camisetas azuis: “Meus jogadores, desta vez estão abençoados. Entrem em campo, com a certeza da vitória. Ninguém há de nos tirar este título tão almejado. Estamos acobertados com a presença do sagrado manto azul de Nossa Senhora”. O Brasil sagrou-se pela primeira vez, campeão mundial. O mundo curvou-se diante de nosso futebol. O milagre da Padroeira do Brasil, aconteceu. GUARACI ALVARENGA é advogado. E- mail: [email protected]

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