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O que é política?

COMENDADOR EGINALDO MARCOS HONORIO | 28/02/2020 | 07:30

Na minha opinião praticamos política desde o primeiro tapa nas costas para abrir os pulmões e darmos sinal de vida, confirmando o sucesso do parto. Na sequência, pratica-se política quando choramos para informar que estamos com fome, sujos ou querendo colo.

De outro lado, temos política de boa e má qualidade, de boa e má fé ou até de boa vizinhança. O ideal é a política limpa, honesta, transparente, equilibrada, respeitosa.

Lamentavelmente vimos dias sombrios, onde requisitos mínimos e fundamentais são vilipendiados, colocando em risco a população e remetendo-nos à parte final da famosa frase que teria sido de autoria do jurista Rui Barbosa, onde afirma que diante de tanta injustiça, do triunfo das nulidades, da desonra e do poder nas mãos dos maus, “tenho vergonha de ser honesto”.

Esse estado de coisas leva a uma insegurança ímpar, na medida do elevado volume de impunidade e omissão, onde o cidadão comum, diante dos descalabros apresentados nos últimos tempos, se coloca na posição de igual e espera que nada lhe aconteça.

Na minha opinião, o caminho não é esse: ainda que diante de tantos abusos, sou daqueles que acreditam nas instituições e na Lei (na acepção jurídica do termo), pois é de conhecimento comum que não se pode generalizar que os maldosos não são maioria. Assim, podemos contar com pessoas honestas e eliminar os abusos.

Não se faz política apenas exercendo direito de voto nem disputando eleições. Fazemos política ao exigir a aplicação da lei, que é direito fundamental e constitui cláusula pétrea à luz do que estabelece a Constituição Federal em seu parágrafo único do Art. 1º – “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição.” É de se lamentar que não tenhamos o mesmo poder para revogar o mandato que outorgamos, ou seja: temos o poder soberano de eleger, todavia não temos a mesma força para remover aqueles eleitos que agem contra nossos interesses e contra a lei.

Como disse, há vários meios de se fazer política. Essa partidária e pública deveria sofrer fiscalização e punição severa e exemplar quando divorciadas de seu objeto ou promessas, pois – em muitas hipóteses – agrava severamente aqueles que confiaram em seus representantes e estão limitados em sua defesa individual.

Tratando da política de boa vizinhança, é estranho – todavia muito comum – o fato de vizinhos sequer trocar um “bom dia”, “boa tarde” no elevador do prédio. vejo como tão desequilibrada essa conduta, posto que, em eventual emergência, o mais próximo é próprio vizinho.
“Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelos mesmos motivos.” (Eça de Queiroz)

28 é advogado


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