Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

O sino da solidariedade

GUARACI ALVARENGA | 22/05/2020 | 05:00

Dizem os sábios que a velhice nada tem a ver com o tempo. Os homens se tornam velhos, de fato, quando passam a resmungar ao invés de lutar. Quando perdem o dom de sonhar para sentirem apenas saudades.

Vou um pouco mais além. Muitos questionam de que adianta toda a riqueza do mundo se existe a doença, a velhice e a morte. Ninguém é próspero na doença, nem rico na morte. Todavia o nosso bem maior, a que temos sempre que dá o máximo de valor, é a vida. Sem ela não teríamos tempo para enxergar estas imperfeições do mundo, nem sequer vislumbrar suas perenes ilusões.

Admiro sim aquelas pessoas cuja vida não lhes foram generosas e que mesmo assim lhe dão a real importância. Pessoas cujo exemplo nos ensina como enfrentar o maior desafio que o tempo e o destino colocam à frente de todos nós. E este mortífero vírus, cujo combate ainda não trouxe a cura e nenhum proveito.

Permito-me pedir sua atenção para este conto: uma simples mensagem a mim enviada, mas que abre as portas de um mundo muito mais amplo do que se possa imaginar.

“Na estrada de minha casa há um pasto e dois cavalos vivem lá. De longe parecem cavalos como os outros, mas quando se olha bem, percebe-se que um deles é cego. Contudo, o dono não se desfaz dele e arrumou-lhe um amigo, um cavalo mais jovem. Isso já é de se admirar. Se você ficar observando, ouvirá um sino. Procurando de onde vem o som, verá que há um pequeno sino no pescoço do cavalo mais jovem. Assim, o cavalo cego sabe onde está seu companheiro e vai até ele. Ambos passam os dias correndo e ao anoitecer o cavalo cego segue o outro até o estábulo. E você percebe que o cavalo com sino está sempre olhando se o outro o acompanha para que possa alcançá-lo. O animal cego guia-se pelo som do sino, confiante que seu companheiro está o levando para o caminho certo.”

Como o dono desses cavalos, Deus não se desfaz de nós porque não somos perfeitos ou porque temos problemas e desafios. Ele cuida de nós e faz com que outras pessoas venham em nosso auxílio. Quando precisamos, somos como o cavalo cego, guiados pelo som do sino daqueles que Deus colocou em nossas vidas. Outras vezes, somos o cavalo que guia, ajudando os outros a encontrar seus caminhos.

E assim são os bons amigos. Você não precisa vê-los para saber que estão lá. Nos deparamos neste presente momento com uma tragédia. Reflexos da crise pandêmica e econômica. Teme-se o presente e o futuro. Recebe-se golpes que não se espera. Sabe-se, entretanto, o valor da persistência e da coragem. Não se desaprende a servir. Como diriam nossos pais, o amor verdadeiro torna-se substância da vida. A par do cruel flagelo, creia que sua vitória é temporária. A vontade de viver torna-se suprema. Ouça o meu sino, que ouvirei o seu. Sejamos solidários. Desperte o sino a tocar em nossas vidas.

GUARACI ALVARENGA é advogado.


Leia mais sobre |
Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/o-sino-da-solidariedade/

Notícias relacionadas


Desenvolvido por CIJUN