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2020: escuta e cuidado

MARGARETH ARILHA | 22/01/2020 | 05:00

Chegamos a um novo ano eleitoral e enfrentaremos nova rodada de conversas sobre a vida municipal e seus embates. A população brasileira está enfrentando cenários incomuns: onde tem sido muito difícil retirar energias para seguir. E o mais impressionante é que, mesmo depois de mais de cinco anos de uma situação nacional e global muito tensa e persistente, as pessoas continuam. Isso não é novidade para ninguém.

Nosso principal problema é a recessão, mas há outros igualmente relevantes, especialmente a falta de segurança e educação, e as questões associadas à saúde física e mental. Recentemente, viu-se grande procura nos vestibulares pela carreira de Medicina, um fato já conhecido. Mas outra das grande vedete neste ano foi a Psicologia, situada logo após a Medicina no cômputo da procura.

Penso que isso é um sintoma extremamente relevante sobre o que vem ocorrendo na vida das pessoas. De alguma maneira, a busca por uma carreira surge a partir da análise que cada um faz, baseada ou não em fatos reais, das faltas ou carências que um município, estado ou país pode apresentar. <CW-6>Ou, o que é mais provável, do que observa em si mesmo ou em seu entorno. No caso, as duas carreiras que cuidam, uma da saúde física e a outra da saúde mental, falam a favor da necessidade de amparo, do desejo de cuidado que se identifica como central.

O que está no olho do furacão, portanto, é o sofrimento físico e mental. Todos parecem desesperadamente ávidos por respostas efetivas que possam diminuir as dores de corpo e alma. No caso específico da saúde mental, não é à toa que cresce a procura por iniciativas de atendimento psíquico disponíveis no setor público e no setor privado. No entanto, ao mesmo tempo, a urgência dos tempos e contratempos que cada um se coloca muitas vezes dificulta o papel dos psicoterapeutas e psicanalistas, que estão tentando o tempo todo evidenciar que o trabalho, para ser efetivo, necessita de tempo e dedicação, não apenas dos terapeutas, mas de cada indivíduo que se coloca em situação de busca de aprendizagem sobre si mesmo, de seus recursos, de seus dramas e conflitos, e de saídas efetivas de enfrentamento e superação das questões vividas.

É imprescindível que cada sujeito escute e desenhe suas considerações sobre si mesmo, que reflita e se coloque em posição de entrar em uma relação de cuidado. Sem mudança de posição interna, nada será modificado, nem em você e nem em seu município.

MARGARETH ARILHA é psicanalista e pesquisadora do Nepo (Núcleo de Estudos em População Elza Berquo), da Unicamp


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