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O urbanismo paulistano

ANTONIO FERNANDES PANIZZA | 21/01/2020 | 07:30

A Corrida de São Silvestre – outrora noturna e nos minutos finais do ano – não mostrava a parte central da Capital do Estado, como ocorre hoje por ser no período da manhã. É Claro que a televisão está incumbida de transmitir as corridas, primeiro a feminina e depois a masculina, mas não faltam tomadas aéreas que nos oferecem vistas em perspectiva das ruas e adjacências do percurso.

Como dizia o professor Irineu Idoeta, meu colega de equipe no TCC da PUC Campinas, “São Paulo é um universo pouco conhecido de como ela é”. E de fato, ao andar pelos seus limites conurbados com vizinhos, pode-se ver o que sua heterogênea população fez neste último século, e sobre isto germinou o que veio ser a grandeza da metrópole que continua sendo uma das principais propulsoras do país.

Voltando às vistas aéreas da corrida: no início, mostram a imponência dos edifícios da Avenida Paulista, que é o divisor de águas entre os vales dos Rios Tiete e Pinheiros. Em seguida, chegamos ao Jardim Pacaembu – de desenho sinuoso e de rica arborização – realçando sua raça frontal e adentrando na avenida que leva o seu nome.

Por ela, seguimos até a parte plana do percurso, até chegar o bairro Campos Elísios, que já foi sede do governo paulista. O próximo trecho do percurso atravessa o Centro tradicional, mostrando exemplares notáveis de arquitetura, dentre eles o Teatro Municipal. A longa subida da prova é a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio que, em seu ponto alto, dobra na avenida Paulista, já próxima à faixa de chegada.

Depois de percorridos exemplares de arquitetura, subimos a um heliporto em edifício da Avenida Paulista. A vista de 360 graus é indescritível, mas por motivo didático – para se constatar o que é baixa ou alta densidade demográfica – nada como ver e comparar as duas vistas: uma da ocupação das quadras no rumo nordeste (vale do Rio Tiete), e a outra de sudoeste (encosta do no Rio Pinheiros).

Na primeira, a grande ocupação, com edifícios altos, concentra muitas pessoas e oferece poucos espaços verdes: portanto, tem densidade demográfica alta. Este tipo de ocupação é o que prevalece na metrópole, dificultando medidas de melhoria urbana. Na segunda, também há quadras similares, mas o que se destaca é a maravilhosa superfície dos jardins: Jardim Europa, Jardim América, Alto de Pinheiros, e também o Jardim Pacaembu. São loteamentos de meados do século passado, com unidades amplas arborizadas internamente e nas ruas, e que contam com praças que enriquecem o conjunto.

A vista dos Jardins lembra um tapete verde, mas que na realidade é um grande bolsão de ar que sombreia e oferece conforto na superfície da grande Metrópole. É uma maravilhosa riqueza criada, e que cabe ao Poder Público proteger.

Antonio Panizza é arquiteto e ex-secretário de Planejamento Urbano de Jundiaí

ANTONIO FERNANDES PANIZZA
PRIMEIRO PLANO DIRETOR DE JUNDIAI


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