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Os jasmineiros romanos

JOSÉ RENATO NALINI | 08/09/2019 | 07:30

Como escala para o Cairo, tive dois dias para rever Roma. Lá estivera por várias oportunidades. A primeira, em 1976, juntamente com meu amigo/irmão Francisco Vicente Rossi e suas irmãs, a saudosa Maria Conceição e Ana Maria, ainda estava na Santa Sé o nosso querido Dom Agnelo. Foi o brasileiro que mais deteve cargos e influência no Vaticano. Acumulou funções como Prefeito da Sagrada Congregação que se chamava “Propaganda Fidei” – Propaganda da Fé – , depois chamada para Evangelização dos Povos. Foi o ecônomo do Estado Pontifício e Camerlengo, o responsável pela convocação de conclaves.

Depois voltei com o Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, na sua peregrinação para conhecer todas as Escolas de Magistratura existentes no globo, com vistas à criação de um sistema de educação judicial no Brasil.

Várias outras visitas permitiram conhecer relativamente a “Cidade Eterna”, cujos encantos são infinitos.

Estive na celebração do aniversário de casamento de Sylvia e Francisco Rossi, num almoço em que estavam presentes quase três dezenas de Cardeais.

Desta feita, foi possível revisitar três das Basílicas principais – Santa Maria Maggiore, São João de Latrão e São Pedro. Só faltou a de São Paulo Paulo “fora dos muros”, mas consegui ao menos entrar em mais de uma centena de templos. Inclusive revendo o famoso “Êxtase de Santa Teresa”, também conhecido como a Transverberação da Santa reformadora da ordem carmelitana. É majestoso conjunto escultural de mármore branco, executado por Gian Lorenzo Bernini, um dos maiores artistas do século XVII. Representa a experiência mística de Santa Teresa de Ávila, trespassada por uma seta de amor divino por um anjo, realizada para a capela do cardeal Federico Cornaro.

Está na Igreja de Santa Maria da Vitória e atrai milhões de visitantes a cada ano. Mas o que me chamou atenção, desta vez, foi o carinho com que os romanos tratam seus jasmineiros. Ruas inteiras a rescender o perfume dessa flor que também cresce no Brasil. Em casa de meus avós paternos, onde nasci, na Rua Rangel Pestana, havia enorme jasmineiro, cujo odor era perceptível pelo olfato assim que nos aproximávamos daquela vivenda. Destruída, como quase tudo nas cidades brasileiras, na sanha demolitória que bem evidencia nossa fragilidade civilizacional.

Pode ser pouco, mas ajuda a explicar que a Itália receba milhões de turistas a cada ano e o Brasil seja inexplorado pelo restante do mundo, embora possua exuberantes paisagens, folclore riquíssimo e não padeça de males naturais. Só daqueles que derivam da própria conduta humana.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação na UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS- 2019-2020.


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