Opinião

Os jovens podem fazer a diferença


Não parece mais haver dúvidas sobre o progressivo aquecimento global. Claro, se há gente que duvida até que a Terra seja redonda, com relação a essa questão não seria diferente. Segundo a NASA, a agência espacial americana, desde o século 19 o clima médio da temperatura na superfície do planeta aumentou 0.9 graus celsius. A maior parte desse aquecimento se deu nos últimos 35 anos, sendo que os cinco anos mais quentes desde então ocorreram a partir de 2010. O ano de 2016 foi o mais quente até o presente. Entre janeiro e setembro daquele período foram registradas as maiores temperaturas até agora para esses respectivos meses. O que se tem discutido não é mais se há ou não aquecimento, mas qual a causa desse fenômeno. Apesar de existirem várias fontes igualmente sérias e confiáveis, ficaremos com a NASA novamente, uma vez que não é possível taxá-la de agente subversivo. Segundo relatório publicado pela agência americana após anos de exaustivos estudos, é 95% provável que esse aquecimento se dê em razão da atividade humana, que produz gases, como o dióxido de carbono, entre outros, que bloqueiam a dispersão do calor para fora da atmosfera. As consequências da realidade que esses dados definem, caso não sejam tomadas providências capazes de diminuir a emissão desses gases em tempo hábil, são potencialmente catastróficas. Qual seria esse "tempo hábil"? Ou, melhor dizendo, quanto tempo temos ainda para inverter essa tendência de aumento da temperatura antes dela tornar-se irreversível? Com relação a essa questão, as opiniões variam. Alguns acham que se a temperatura média global dobrar, ou seja, aumentar dois graus, o que poderia acontecer, no ritmo atual, nos próximos 20 ou 30 anos, a situação ficaria fora de controle. Outras estimativas afirmam que poderíamos chegar a três graus ou até um pouco mais antes do ponto de não retorno. E que, isso posto, poderia levar um pouco mais de tempo, talvez 40 ou 50 anos. Quem está certo? Não se pode dizer. O que é certo são as consequências. De uma maneira ou de outra, a juventude atual corre o risco de viver em um mundo muito mais hostil, no qual a própria civilização estaria ameaçada. Daí a necessidade urgente da sua participação nesse processo para frear essas mudanças. Valeria a pena apostar, com tanto em jogo, que o ponto de não retorno é este ou aquele? Ou minimizar, baseado em dados eventualmente conflitantes, a existência desse problema? MIGUEL HADDAD é advogado, foi deputado e prefeito de Jundiaí.

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