Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Os verdadeiros parasitas

FABIO JACYNTHO SORGE | 11/02/2020 | 05:00

Na última sexta-feira (7), o Ministro da Economia, Paulo Guedes, continuou a sua cruzada contra o funcionalismo público, bem como o processo de demonização a que os servidores vêm sendo expostos sob a gestão dele. Ele disse que “o funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo. O hospedeiro está morrendo. O cara (funcionário público) virou um parasita e o dinheiro não está chegando no povo”.

Guedes ainda deu como exemplo os Estados Unidos, que ficam “quatro, cinco anos sem ajustar o salário do funcionalismo e, quando concedem o aumento, têm reconhecimento público. Aqui, o cara é obrigado a dar e ainda leva xingamento”, afirmou.

Por fim, o Ministro ainda disse que “80% da população brasileira é a favor inclusive de demissão do funcionário público.”

Sou funcionário público há quase 13 anos, tendo ingressado na Defensoria Pública do Estado de São Paulo em maio de 2007.

Todavia, é preciso ter em mente que o serviço público também tem diversas virtudes, com profissionais dedicados, empenhados e corretos, que muitas vezes trabalham para além das possibilidades e estrutura fornecida pelo Estado, em prol da população.

Para comprovar isso, posso citar meus colegas de Defensoria Pública do Estado de São Paulo. que nas mais diversas áreas buscam garantir os direitos da população mais carente do estado, muitas vezes com um número elevado de casos e pouca ou nenhuma estrutura para trabalhar.

E também posso citar outros servidores de carreiras do sistema de Justiça, como delegados de polícia, promotores de Justiça e juízes de Direito, que muito se empenham para garantir investigações criminais sérias, defender os direitos da sociedade ou julgar com isenção. Isso sem mencionar as áreas da saúde e a da educação.

Não é de se surpreender que o Ministro Guedes pense assim. Alguns economistas neoliberais como ele só ligam para os lucros das grandes empresas e dos bancos. Só pensam em garantir que o “mercado” funcione, pouco importando se ao custo do aumento da exclusão e da pobreza. Para gente que pensa assim, qualquer política pública que ampare a população mais pobre é vista como gasto desnecessário. Afinal de contas, quem não precisa usar qualquer serviço público, costuma desdenhar de todos eles.

Para finalizar, os verdadeiros parasitas são os que vivem de explorar a miséria dos mais pobres, como o fazem o ministro Guedes e os seus amigos banqueiros.

FABIO JACYNTHO SORGE é defensor público do estado de São Paulo e coordenador da Regional de Jundiaí

Foto: Rui Carlos/Jornal de Jundiaí


Leia mais sobre
Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/os-verdadeiros-parasitas/
Desenvolvido por CIJUN