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Oswaldo Fernandes: ‘A água é o petróleo do século 21’

OSWALDO JOSÉ FERNANDES | 02/04/2019 | 07:30

Lembro: A água que a esquerda toma é a mesma que a direita bebe. Nenhum país do mundo poderá ser chamado de nação se não prover o seu povo de água, de alimento e de educação. Hoje, a falta de água no mundo está criando um mercado bilionário que tem atraído grandes empresas como GE, Siemens e Dow.
A escassez de água está se tornando uma das maiores preocupações entre ambientalistas, políticos, empresários e executivos. A seca (entenda-se como falta de água) é fenômeno recorrente em diversos países, sendo o Brasil o mais perfeito exemplo disso, embora tenha ele o maior volume de água doce da Terra e seja ainda banhado pelo segundo maior oceano do planeta – o Atlântico. Em relação à escassez de água, alguns países já tomaram providências, como Espanha, região de Barcelona; Austrália, em alguns estados americanos; China; Argélia; Israel; Oriente médio, dentre outros.
Negócio com a água – Deve-se movimentar, até 2025, o valor estimado de US$ 730 bilhões de dólares. Em 2018, só com a aquisição de água engarrafada, gastaram-se quase US$ 140 bilhões de dólares. Em 2007, com tratamento de água e esgoto, foram desembolsados US$ 325 bilhões de dólares. Calcula-se que, em 2025, cerca de 33% da população mundial não terão água para beber ou para irrigar seus territórios.
Negócios com a água, à parte – Água no Brasil é uma questão de Estado, é uma questão estratégica. A seca é o secular problema do Nordeste, a terceira maior região do Brasil e a maior em número de estados, já que conta com nove deles:Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio grande do Norte e Sergipe. Para prover a população nordestina de água, tanto para a agricultura(irrigação) como para dar potabilidade (água para beber), uma das alternativas está na construção de nove usinas dessalinizadoras, uma por estado. O custo médio estimado por usina está em torno de US$ 480 milhões de dólares (dólar cotado no dia 18/01/2019: US$ 1 = R$ 3,75), o que equivale a R$ 1,8 bilhão de reais.
A conta – Cada usina R$ 1.8 bilhão de reais; Nove usinas R$ 16, 2 bilhões de reais. De onde virá esse dinheiro? Não venha com essa história de que tudo é culpa da corrupção. Claro é que esse mal terá de ser erradicado, porém não é o único responsável por essas mazelas. Temos sim uma questão de prioridade e de governança, de compromisso com o povo. Os donos dos currais eleitorais poderão não gostar. Quanto a “de onde virá o dinheiro”, tenho uma sugestão: Os governos federal e estaduais, todos eles, até onde ainda existe água, que chamem os bancos para pagarem por esse projeto de R$ 16,2 bilhões de reais.
Verificamos: Em todos os dias, lemos nos jornais, nas mídias sociais, nos canais de TV e em outros veículos de comunicação que, trimestralmente, esses bancos têm, juntos, lucro deR$ 17,5 bilhões de reais – anote, por trimestre, o que dá no ano todo, aproximadamente, R$ 70 bilhões. Então, se pagarem essa conta, eles juntos, ainda terão, só de lucro líquido no ano, R$ 53,8 bilhões de reais, o que dá para o banquete anual em Paris ou em Nova York, ou os dois – e olha que sobrará muito dinheiro.
Lembro: Todo esse lucro tem a contribuição direta do sofrido povo nordestino que paga as mesmas exorbitantes taxas cobradas das outras regiões. Lembro ainda que essa abordagem foi apresentada ao então candidato, companheiro Eduardo Campos, pouco antes de seu trágico acidente.
Este artigo tem como base a publicação feita pela Revista Guia Exame 2008, no tema Sustentabilidade sob o título Negócios Globais – Mercado, a Economia Verde, páginas 83 a 87.

Oswaldo Fernandes


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/oswaldo-fernandes-a-agua-e-o-petroleo-do-seculo-21/
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