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Outono em Jundiaí

GUARACI ALVARENGA | 13/03/2020 | 07:30

Tanto aqueles que aqui nasceram, como os que adotaram esta terra cristalizam uma filosofia de vida de convívio comunitário dos mais invejáveis. A cidade hospeda, em cada canto, a alegria de suas invejáveis festas tradicionais: como nos versos da inesquecível professora Haydée, “teus filhos amantes são de ti”. Amantes do seu pedaço de chão.

A cidade conta com as vantagens de uma metrópole e guarda no seu seio as virtudes de uma província. Qualidades que a diferenciam de outras plagas, graças ao esforço, o trabalho e a abnegação de suas afáveis comunidades que seduzem pela fé, amor e bondade.

O friozinho do outono traz as saborosas festas: que encantam a todos, realçando uma raiz de solidariedade inigualável. A tradição cativa essa gente que acredita no que faz. E a convicção vem de dentro, veemente: verdadeiros voluntários da solidariedade.

Não há cansaço físico que impeça seus arroubos de entusiasmo e alegria no bem servir. A gratuidade do espírito, a paróquia e a fé: assim nasceram as festas do Caxambu, da Roseira, da Toca, as Luzes da Ponte, a Festa Italiana da Colônia, a Festa Portuguesa da Vila Arens, a Trezena do Anhangabaú, Cidade Nova e Corrupira, a Vicentina do Retiro, Eloy Chaves. A veneração sacra dos fiéis a São Roque, São Sebastião, Santa Rita de Cássia, São João Batista, Nossa Senhora da Conceição, do Montenegro, Santo Antônio, São Vicente de Paulo, São Roque. Bom Jesus e São Genaro.

Neste outono temos ainda a tão esperada Festa Italiana da Colônia, a da Padroeira de Nossa Senhora de Montenegro, as tradicionais do bairro da Terra Nova e da bucólica Varginha, as inúmeras e alegres festas juninas.

Os fins de semana são marcados por um brilho e um entusiasmo jamais encontrados em festas de luxo e riqueza. A cozinha saborosa, a polenta regada a queijo parmesão, o frango a passarinho, a batata frita, a linguiça caipira, as saladas de folhas precoces, a leitoa pururuca, o delicioso nhoque, o macarrão com suas iguarias, os doces caseiros, os vinhos artesanais. Os preços justos e acessíveis. Basta estar em um destes encontros para sentir a palpitação de vidas individuais. Nelas não há descrença nem lamúrias, mas brilho nos olhos e sorriso nos lábios.

Há um punhado de gente, melhor ainda: seres humanos. Verdadeiros voluntários da bondade, impulsionados por uma corrente de extrema solidariedade. Se não me equivoco, essa é a grande potência destes bairros de Jundiaí, e seria um tremendo erro deixá-la perder ou mudá-la para outra forma de convivência.

GUARACI ALVARENGA é advogado.


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