Opinião

Pais teimosos e a covid-19

Da redação
Margareth Arilha
Crédito: Da redação

Na semana do Dia dos Pais, alertamos que sua vida, pai, é importante, necessária, e a maior parte dos humanos quer ter vocês por muito tempo por aqui nesse planeta. De uma maneira geral, os homens nunca se preocuparam muito ou tanto quanto as mulheres em seu cuidado com a saúde, especialmente os mais velhos. Justamente aqueles por quem o coronavírus tem mais simpatia. Isso é um fator conhecido, e derivado de questões já diagnosticadas: por serem socializados na perspectiva de chefes ou donos do mundo, mantendo atitudes inconsequentes, muitas vezes geram consequências ruins a eles mesmos e a seu entorno. O cuidado de si e a empatia com o outro geralmente não são seu forte. Atualmente estão mais presentes nas vias públicas do que as mulheres, fato sobejamente conhecido. Para desespero de seus familiares, especialmente filhos, que passam dias e dias explicando e tentando convencê-los que um pouco mais de paciência, tolerância e disciplina é bom e necessário para prevenir a covid-19 e proteger quem está de seu lado, e seu ambiente. A GlobalChange 5050 mostra que a predominância de casos e de mortes de homens em todas as faixas etárias não tem a mesma dimensão em todos os países do mundo. Embora pareça haver elementos biológicos que poderiam justificar a maior incidência do vírus junto à população masculina, (maior presença da proteína ACE2), deve-se agregar que são as condições de vida, de maior exposição e de maior descuido, dificuldades em obedecer normas e regras, de maior exposição em atividades profissionais e tarefas de risco, que também estão determinando um descompasso no volume de mortes masculinas. Por exemplo: os gráficos de diferentes países mostram predominância de mortes de homens enquanto que, na Alemanha e em Portugal, os dados mostram maior igualdade nas taxas entre homens e mulheres. Tudo indica que, onde há maior igualdade de gênero, é possível que haja maior igualdade também entre o número de mortes por sexo. Quanto mais desigual o país, maior numero de mortes de homens. Não é o caso do Brasil, certamente. Aqui os homens certamente são maioria. Cabe recordar que todas as mortes são totalmente indesejáveis e, em boa parte dos casos poderiam ser evitadas, como já sabemos, com políticas austeras de proteção, testagem e isolamento social rigoroso. Proteja-se muito, pai querido. Não seja tão teimoso ou pretensioso, e aprenda, de uma vez por todas, que você não é melhor do que ninguém.

MARGARETH ARILHA é psicanalista e pesquisadora do Nepo (Núcleo de Estudos em População Elza Berquo) da Unicamp.


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