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Palavra

EGINALDO MARCOS HONÓRIO | 08/11/2019 | 07:00

Olá caríssimxs. Eu sou do tempo em que a palavra tinha muito mais valor que hoje.

Sou do tempo em que as pessoas diziam: “Tens a minha palavra de honra”; “Comigo é no fio do bigode” e por aí vai. Hoje? Nem mediante escritura lavrada em cartório, com testemunhas etc e etc, as pessoas cumprem o que prometem.

Infelizmente experimentamos uma inversão de valores, desrespeito às instituições, hierarquia, idade, lugares e muito mais. E, aos que assim agem ao serem questionados, simplesmente, limitam-se a pedir desculpas, como se isso fosse o suficiente para aliviar a dor, a perda, o constrangimento e humilhação. E, em outras situações, frequentemente afirmam que se estaria diante de mero aborrecimento.

A disseminação da sensação da impunidade acarreta tudo isso, a exemplo do que vimos nos últimos tempos.

O sujeito comete crime grave e, na maior cara de pau, pede desculpas e aquele que deveria punir, vem a público e diz, com a maior singeleza: “Sim, cometeu infração, mas já pediu desculpas”.

Ah, então tá. O pedido de desculpas integra agora a chamada excludente de culpabilidade? Quando não, assacam a famosa pérola: “Eu só estava brincando”.

Em razão desse estado de coisas é que o parlamento, a cada dia, força a necessidade de sua manutenção, visando criar mais e mais leis, para que as pessoas sejam compelidas a cumprir as obrigações assumidas, quando – a meu sentir – realmente poderíamos fechar o Congresso Nacional, posto que temos leis para tudo, bastando saber e aplicar sem paixões.

Digo paixões pelo fato de que, no mais das vezes, diante do caso concreto, aquele que deve fazer com que a lei seja cumprida, a aplica de acordo com seu humor e com estreita ligação ao acusado, verificando-se, sem esforço, que, se não houver simpatia com o caso ou com o autor do fato, aplique-se a lei nua, fria e crua, enquanto que, em sentido contrário, interprete-se a lei. Assim: “Ao inimigo, a lei. Ao amigo, a interpretação da lei”.

Referido comportamento lamentavelmente é comumente constatado, com honrosas e valorosas exceções, todavia, em percentual muito baixo.

Desde há muito a desigualdade é cultuada e levada a normalidade na medida em que se sustentou que, por exemplo, a mulher deve apenas cuidar da casa e da prole e, se trabalhar, não pode ter o mesma remuneração que os homens; os negros não podem ter os mesmos direitos que os não-negros; pessoas com deficiência são tratadas com descaso desumano. Assim, considerando que os direitos são iguais, por qual razão tratamento diferenciado?

Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.

COMENDADOR EGINALDO MARCOS HONÓRIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Jundiaí – eginaldo.honorio@gmail.com


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