Opinião

Paulino Nivoloni: coragem, empreendimento e arte


O fenômeno Inhotim provocou uma disseminação de ideias e equipamentos culturais bem-sucedidas no interior do estado e do País, sempre por iniciativa de colecionadores mecenas que tiveram disposição e entusiasmo para empreender tais lugares para a arte contemporânea nas mais distintas formas de apresentação. Na esteira deste, um dos mais novos polos de arte contemporânea é a Fábrica de Arte Marcos Amaro (Fama), em Itu, instalada em uma antiga fábrica têxtil, coincidentemente de mesma data da Tecelagem Japy de Jundiaí, em 1913. Com um acervo de arte contemporânea impressionante, passa a ser programa para a região conhecer o importante e belíssimo acervo. Neste momento, a exposição temporária é a de Bispo do Rosário (1909 - 1988) - que já foi apresentado aqui por ocasião da inauguração do Sesc Jundiaí - em diálogo com as obras de Louise Bourgeois (1911 - 2010). Em tempo, a nossa Antiga Fábrica de Tecelagens Japy, com obras avançadas para ser concluída, é um desses espaços culturais que Jundiaí tem e vai ganhar de presente e esperamos que tenha o mesmo sucesso da vizinha ‘Fama’. Graças a iniciativa de um acordo que tem a Nivoloni Projetos e Administração com o Ministério Publico, as obras de restauração estão em ritmo acelerado. As novas e modernas instalações dão um caráter contemporâneo para o lugar. Aprovado pelo Compac, tem na esmerada execução os empreendedores que contrataram um time com a seguinte ficha técnica: projeto de arquitetura das novas adequações, fechamentos e memorial às tecelãs de minha autoria e Engº Marcelo Grisotti na execução das obras e restauração. O mérito da iniciativa é do presidente do Grupo Nivoloni, Paulino Nivoloni, que fez edifícios emblemáticos que contribuíram para modernizar a paisagem do Centro de Jundiaí. O grupo é um dos dois maiores produtores de cerâmica vermelha do País. A família representante das gerações de imigrantes italianos que iniciaram as olarias no século XIX contribuíram para tornar Jundiaí moderna. Fizeram o Edifício de escritórios ‘Nivoloni’ que por anos abrigou a Prefeitura Municipal, o edifício Marrakeche outros grandes empreendimentos, como a iniciativa do Maxi Shoping Jundiaí. Sua história fica marcada para sempre na cidade e este artigo homenageia este que foi um dos grandes vultos que acreditaram na força da cidade e no empreendedorismo. Prova é o êxito de tudo o que administrou e idealizou, Com essa contribuição cultural da restauração da Fábrica Japy, em curso, lamentamos que ele não viveu para ver sua obra concluída. EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro ‘Núcleos Coloniais e Construções Rurais

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