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Paulo Bretones: Cometa 46P/Wirtanen pode ser visto

PAULO S. BRETONES | 18/12/2018 | 07:30

Nas próximas noites, o Cometa 46P/Wirtanen poderá ser visto logo ao anoitecer no Brasil e no mundo todo em locais sem poluição luminosa e com céu aberto. O astro passou pelo ponto mais próximo da Terra no domingo, dia 16 de dezembro, a “apenas” 11,6 milhões de quilômetros, o que corresponde a cerca de 30 vezes a distância da Terra à Lua e por isto não existe a possibilidade de se chocar com o nosso planeta. Os cometas periódicos têm órbitas que são elipses muito achatadas. Quando passam pelo ponto mais próximo do Sol, estão próximos às órbitas de Mercúrio e Vênus e quando estão afastados podem passar além da órbita de Plutão. Outros cometas têm órbitas abertas como parábolas e hipérboles, passam próximos ao Sol, e talvez nunca mais voltem. Quando estão distantes, os cometas são blocos de rocha e gelo. Ao se aproximarem do Sol, o núcleo de gelo se aquece e parte do material é sublimado, passando para gás e formando a coma ou cabeleira ao seu redor. Chegando ainda mais perto e devido ao vento solar, o aumento da coma pode formar uma cauda no sentido contrário ao Sol. Muitos cometas foram vistos facilmente a olho nu, como o Halley em 1910 com uma cauda de 150 milhões de quilômetros! O cometa 46P/Wirtanen foi descoberto por meio de fotografia em 17 de janeiro de 1948 pelo astrônomo norte-americano Carl A. Wirtanen e foi o 46º periódico a ter sua órbita determinada. Tem um período orbital de 5,4 anos e um diâmetro de 1,2 km. No início das próximas noites o cometa poderá será observado, por exemplo, no estado de São Paulo, com uma altura de cerca de 25º acima do horizonte. Olhando para o horizonte leste e norte e tomando como referência a constelação do Órion, onde estão as populares Três Marias, podemos notar à esquerda o aglomerado aberto das Plêiades na constelação do Touro. Assim o cometa poderá ser localizado entre as Plêiades e a estrela Capella, mais abaixo. Para facilitar a localização do cometa no céu podem ser usados vários aplicativos ou sites na Internet com mapas do céu visível para determinada cidade ou suas coordenadas e para certo horário escolhido. Como o cometa estará no limite da visibilidade a olho nu, será mais fácil de ser observado, como uma manchinha no céu, com binóculos ou instrumentos de pequeno porte, mesmo com a Lua visível e quase na sua fase de Lua cheia. Outra possibilidade seria visitar os observatórios da região que recebem público como os de Campinas, Piracicaba e Americana. O mais interessante é perceber que de uma noite para outra, o cometa se desloca por entre as estrelas.

[RODAPE_OPINI]PAULO S. BRETONES é professor do Departamento de Metodologia de Ensino da UFSCar. Site: www.paulobretones.com.br

T_PauloBretones


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