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Paulo Sérgio Bretones: O Eclipse da Lua

Paulo Sérgio Bretones | 25/06/2019 | 07:30

Na tarde de 16 de junho, quando a Lua estiver ainda abaixo do horizonte, e, portanto ainda não terá nascido no horizonte leste, às 17h02min, a Lua cheia começará a “mergulhar” na sombra da Terra. Para observadores em Jundiaí, a Lua irá nascer eclipsada às 17h32min e o pôr do Sol ocorrerá às 17h39min.

Devido ao horário deste evento, a Lua eclipsada não terá tanto contraste com o fundo do céu por conta da claridade do crepúsculo. Em outras palavras, não veremos a Lua cheia nascer bem brilhante como de costume, porque ela estará parcialmente dentro da sombra da Terra. Mesmo assim será um fenômeno raro e um desafio tentarmos observar a Lua nascendo parcialmente eclipsada e o Sol se pondo do outro lado do horizonte.

Assim, uma linha divisória surge como um entalhe no bordo lunar e penetrando cada vez mais até que às 18h31min, com uma altura de 11º sobre o horizonte, a Lua terá 65% de seu diâmetro e 60% de sua área cobertos pela sombra de nosso planeta. Então começará a sair da sombra até que às 19h59min sairá por completo e estará novamente toda iluminada pelo Sol, quando estará a cerca de 30 graus do horizonte. Em outros lugares do mundo como na Europa, África e sul da Ásia o evento será mais facilmente observado.

Neste ano teremos ao todo 5 eclipses, sendo 3 do Sol e 2 da Lua. Dos eclipses lunares, o de janeiro foi total, visível em todo o Brasil e o próximo, de 16 de julho será parcial e visível no início da noite.
Denomina-se eclipse ao obscurecimento parcial ou total de um corpo celeste pela interposição de outro.

A palavra eclipse vem do grego ekleipsis, que significa abandono, desmaio, desaparecimento. É uma das raras chances de observar-se um espetáculo tão belo da natureza. Embora os eclipses solares ocorram em maior número, vemos com mais frequência os lunares, por serem observados em áreas consideravelmente superiores à metade da Terra.

Os eclipses lunares ocorrem quando a Lua penetra no cone de sombra da Terra, o que só pode acontecer na fase de Lua cheia pelo seguinte: A Terra gira ao redor do Sol num plano. Supondo que o Sol esteja no centro da face superior de uma mesa, a Terra se move em torno do Sol no nível desta superfície. Ao mesmo tempo a Lua gira em torno da Terra, mas o plano de órbita lunar é inclinado um pouco mais de 5º em relação à face da mesa. Embora a Terra projete sempre a sua sombra não a percebemos porque geralmente a Lua passa acima ou abaixo da sombra. Assim, quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra, ou seja, passa por um nodo, e, além disso, o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse lunar. A sombra da Terra projetada no espaço se estende em forma cônica por cerca de 1,38 milhão de quilômetros. À distância de aproximadamente 384 mil quilômetros, onde está a Lua, o diâmetro da sombra tem cerca de 9 mil quilômetros. Além de uma parte escura, chamada umbra ou apenas sombra, a sombra da Terra tem uma parte cinzenta denominada penumbra. Mas é a sombra que dá o efeito de beleza ao fenômeno.

PAULO S. BRETONES é professor do Departamento de Metodologia de Ensino da UFSCar.
Site: paulobretones.com.br


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