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Portas abertas

EGINALDO HONÓRIO | 22/05/2020 | 05:10

As atuais crises financeira, de saúde, e política abriram muitas portas, em especial a dos armários, fazendo com que os que lá estavam mostrassem sua cara machista, homofóbica, intolerante, racista, fanática, hipócrita, divorciada da autenticidade etc. É e foi surpreendente o desmascaramento que, de certo modo, valeu, despertando o interesse e o desafio de viver com as diferenças, infelizmente muito em falta em nossa sociedade.

É de conhecimento geral que os maiores índices de desigualdade do planeta são encontrados no Brasil, notadamente pela dificuldade em conviver com a diferença, o que compromete esse equilíbrio. Imagine se tudo fosse igual! Lembram daquela frase “o que seria do amarelo se todos gostassem do azul?”

As diferenças são importantes e, a meu sentir, necessárias para que se possa evoluir e interpretar a condição de cada qual. Já disse aqui que não posso, por exemplo, falar da mulher, mas falar “sobre”. O branco não pode falar do preto e vice-versa. Apenas “sobre”.

Apesar disso e respeitando essa proposição, o que causa estranheza é o elevado nível de desigualdade social e financeira. Uns com tanto e outros com nada ou quase nada.

A redução da desigualdade faz parte do comando constitucional, à luz do que, por exemplo, consta do inciso III, do Art. 3º, que diz: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: inciso III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.”

Lamentavelmente o que se denota é que tal objetivo, além de confessar a desigualdade e a pobreza instaladas, não é atendido pelos detentores do poder, o que é incontestável. No que diz respeito ao quesito racial, chama mais uma vez a atenção a morte do menino João Pedro, morto por desastrosa ação policial no Rio de Janeiro, seguido pela aluna vítima de atos racistas em escola de elite daquele Estado.

A meu olhar, o que vem dificultando a diminuição desses atos maldosos são os obstáculos impostos para implementação das leis n. 10.639/03 e 11.645/08, que obrigam o estudo das histórias da África, afro-brasileira e indígena que, se efetivada, ajudaria, em muito, a desmistificação e preconceito, na medida em que se comprovaria a importância desse segmento humano, e daria contribuições em sentido amplo no cenário mundial.

Nada justifica, por qualquer prisma que se olhe, o preconceito, atos racistas e excludentes, lembrando que há espaço para todos e não apenas para uma parcela da população, o que dificulta seriamente a entrega de política pública e cumprimento de mandamento constitucional.

“Eu tenho um sonho” (M.L.K), mesmo sabendo que não estarei aqui para vivenciar!

“Para ser superado, não precisa parar. Basta continuar com a mesma velocidade e forma de pensar.” (Claudiney Fullman)

Comendador doutor EGINALDO HONÓRIO é advogado.


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