Opinião

Primeiro fazer o bolo

...E depois escrever a receita. É o que se atribui ao jovem Desembargador Antonio Carlos Alves Braga Filho, um dos atuais talentos do Poder Judiciário brasileiro. Depois de assessorar o Ministro Cezar Peluso, na presidência do STF, voltou ao TJ de São Paulo e tive o privilégio de tê-lo como assessor especial para a área de informática. O que ele quer dizer? Os tempos presentes não admitem hesitação. Não se pode esperar que o governo resolva tudo, que as soluções surjam prontas. De onde menos se espera é que nada virá. Cumpre implementar o protagonismo e ressuscitar o princípio da subsidiariedade. Aquilo que se puder fazer sozinho, não pedir a outrem. O grupo menor, em regra a família, deve realizar tudo o que não necessitar de ajuda. A receita é depender do governo o mínimo possível. Contribuir para que ele se liquefaça, assim como a realidade contemporânea, que é líquida, como diz o Baumann. Assumir responsabilidades. Mudar a vida, mudar o mundo, mudar a história, a partir da mais difícil dentre as mudanças: a mudança de mentalidade. Não há um minuto a perder. O Brasil já deixou para trás décadas de possibilidades. Viu a sua indústria sucateada porém, pior do que isso, vê agora a sua floresta devastada. As hienas gargalhando como se gostassem de chegar mais próximo às portas do inferno. Enquanto isso, as crianças precisam acordar os adultos, despertá-los de sua hipnose coletiva. Fazer com que mostrem indignação e, muito acima dessa postura, ajam para interromper a sanha assassina. Os bairros devem cuidar de replantar as árvores abatidas. Fazer com que o verde retorne e, com ele, a vida integral. Os insetos, os pássaros, os répteis. O bicho mais destruidor, que é o homem. Sem vegetação, sem oxigênio, sem água, não haverá a continuidade da vida no planeta. O momento é o de fazer o bolo - tomar atitude - e depois elaborar projetos, planejamentos, fazer reuniões intermináveis por inócuas Comissões que a nada conduzem, a não ser a sobrevivência do próprio grupo. Falando em bolo, lembrar do poderoso Ministro Delfim Netto, que também teve uma frase célebre: “Primeiro fazer o bolo, para depois reparti-lo”. A História mostrou que o bolo queimou, à espera de quem o tirasse do forno. Os governos deram o “bolo” ao brasileiro crédulo e passivo. O futuro merece mais do que isso. JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS - 2019-2020.

Notícias relevantes: