Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Primeiro fazer o bolo

JOSÉ RENATO NALINI | 22/09/2019 | 07:30

…E depois escrever a receita. É o que se atribui ao jovem Desembargador Antonio Carlos Alves Braga Filho, um dos atuais talentos do Poder Judiciário brasileiro. Depois de assessorar o Ministro Cezar Peluso, na presidência do STF, voltou ao TJ de São Paulo e tive o privilégio de tê-lo como assessor especial para a área de informática.

O que ele quer dizer?

Os tempos presentes não admitem hesitação. Não se pode esperar que o governo resolva tudo, que as soluções surjam prontas. De onde menos se espera é que nada virá.

Cumpre implementar o protagonismo e ressuscitar o princípio da subsidiariedade.

Aquilo que se puder fazer sozinho, não pedir a outrem. O grupo menor, em regra a família, deve realizar tudo o que não necessitar de ajuda.

A receita é depender do governo o mínimo possível. Contribuir para que ele se liquefaça, assim como a realidade contemporânea, que é líquida, como diz o Baumann.

Assumir responsabilidades. Mudar a vida, mudar o mundo, mudar a história, a partir da mais difícil dentre as mudanças: a mudança de mentalidade.

Não há um minuto a perder. O Brasil já deixou para trás décadas de possibilidades. Viu a sua indústria sucateada porém, pior do que isso, vê agora a sua floresta devastada.

As hienas gargalhando como se gostassem de chegar mais próximo às portas do inferno.

Enquanto isso, as crianças precisam acordar os adultos, despertá-los de sua hipnose coletiva. Fazer com que mostrem indignação e, muito acima dessa postura, ajam para interromper a sanha assassina.

Os bairros devem cuidar de replantar as árvores abatidas. Fazer com que o verde retorne e, com ele, a vida integral. Os insetos, os pássaros, os répteis. O bicho mais destruidor, que é o homem. Sem vegetação, sem oxigênio, sem água, não haverá a continuidade da vida no planeta.

O momento é o de fazer o bolo – tomar atitude – e depois elaborar projetos, planejamentos, fazer reuniões intermináveis por inócuas Comissões que a nada conduzem, a não ser a sobrevivência do próprio grupo.
Falando em bolo, lembrar do poderoso Ministro Delfim Netto, que também teve uma frase célebre: “Primeiro fazer o bolo, para depois reparti-lo”.

A História mostrou que o bolo queimou, à espera de quem o tirasse do forno.

Os governos deram o “bolo” ao brasileiro crédulo e passivo. O futuro merece mais do que isso.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.


Leia mais sobre |
Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/primeiro-fazer-o-bolo/

Notícias relacionadas


Desenvolvido por CIJUN