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Procura-se um estadista 2

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 18/06/2020 | 05:57

Vamos entender o Brasil na fase da “festa do estica e puxa”, a síndrome do “quanto pior melhor”, fruto da desinteligência nossa de cada dia. Na maior crise de saúde da história contemporânea, em plena pandemia de covid-19, no momento que mais precisamos dar as mãos, parece que a cizânia nos domina.

A começar da presidência da República, que nesses dias resolveu manipular os dados e os boletins do covid-19 junto ao Ministério da Saúde, enquanto cientistas dizem que há subnotificação, o governo fala que há supernotificação, parece que ninguém está certo. Já o Ministro da Saúde em exercício, o brilhante General Eduardo Pazuello, que acumula diversas condecorações pelo desempenho em sua carreira como Pacificador, Ordem do Mérito Militar, Grande Oficial, Mérito Tamandaré, Ordem do Mérito Aeronáutico Cavaleiro e Distintivo de Comando Dourado, mas não é médico e nem tem um próximo de si.

Já o governador do Estado de São Paulo, João Doria, vulgo “João Fique em Casa”, depois de lançar o Plano São Paulo, aquele óbvio, que deveria ter sido usado desde 22 de março e que por ambição e interesses pessoais só ocorreu depois de quebrar os municípios do estado, liberou geral desdizendo tudo o que defendia até então.

Quanto ao Supremo Tribunal Federal (STF), poderia narrar absurdos demonstrando interferência no executivo de quase todos os senhores ministros, mas me aterei ao Exmo. Alexandre de Moraes, no caso da investigação das fake news. Nesse caso ele é acusador, relator e juiz, parecido com aquilo que ocorre em regimes excludentes como da China, Rússia, Venezuela e Cuba. Numa cilada televisiva da CNN, o grande Nizan Guanaes, empresário, publicitário de renome internacional mencionou que “ainda haverá Natal” e que deveríamos nos unir com as quatro repórteres a sua frente perplexas.

Independente da crença, ideologia, preferências, já morreram cerca de 50.000 brasileiros e 500.000 pessoas no globo, indiscutivelmente uma tragédia sem precedentes contemporaneamente. Como somos pequenos! A democracia é muito complicada mas ainda é o melhor dos regimes.

Nesses dias difíceis assisto “bolsominions” acampados na Esplanada dos Ministérios soltando rojões sobre o STF como se fosse um bombardeio, acompanho a oposição ainda devota a marginais que defendem ideologia do século 19, saúdam nomes como José Dirceu, Luiz Inácio, a “besta quadrada da Dilma Rousseff”, enquanto fizerem isso não nascerá um estadista digno do Brasil, sendo que a discussão principal é quem votou em Bolsonaro e se arrependeu. Pergunto: Com Fernando Hadadd doutro lado, em quem votar?
Procura-se um estadista.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e diretor de gestão e sucessão empresarial da Maxirecur Consulting,


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