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Que a crise não nos afete

JOSÉ RENATO NALINI | 13/02/2020 | 05:00

Os londrinos escolheram a penúltima segunda-feira de janeiro para chama-la de “Blue Monday”, ou segunda-feira triste. Acreditam que é o dia em que a euforia das festas natalinas e de fim-de-ano arrefece e eles caem na real. Além disso, é muito frio e escuro. Sem consistência científica, descobriu-se que o autor da ideia havia sido contratado por empresas de viagem. Ou seja: a nostalgia tem remédio: viajar para países tropicais, longe do inverno e do frio londrino.

Que essa onda se propague e que o Brasil seja o destino dos nobres súditos de sua majestade, a Rainha Elisabeth, longeva e tranquila na mais pop dentre as monarquias sobreviventes.

Todavia, o fato sugere uma reflexão: um dos fenômenos mais comuns deste século é a depressão, o estresse, multifários sintomas de patologias mentais. As pessoas se impressionam com as más notícias. Destas, a mídia está prenhe e se encarrega de disseminar. Como ser feliz, se há crianças sendo mortas, animais abatidos porque já não têm o que comer, florestas incendiadas e água pútrida causando patologia em milhões de pessoas? Fugas planejadas e patrocinadas de encarcerados, terraplanistas, negacionistas do aquecimento global, perenidade dos malfeitos em quase todos os setores da vida pública.

É preciso reagir e pensar que a transformação do mundo começa na sua consciência. Se você não é desonesto, o mundo conta com uma pessoa de bem a mais. Compreender as baixezas, as fissuras de caráter, a ingratidão, o desrespeito. O ser humano é constituído de matéria-prima ordinária, no sentido utilizado em Jundiaí ao tempo em que eu era criança. Algo equivalente a miserável…

Quem tiver tranquilidade para acreditar que tudo isso deixa de afetar as mentes saudáveis, sobreviverá. Não vale a pena ficar atormentado por questões cuja solução não depende exclusivamente de nós.

Recordar, a cada dia, de que tudo passa. Só Deus não passa, como dizia Tereza D’Ávila, Doutora da Igreja. A santa forte, corajosa e destemida, ao estilo ibérico, tão diverso da suavidade de Terezinha, a jovem carmelita de Lisieux. Ambas a nos ensinarem de que há muitos caminhos à nossa disposição.

O importante é ter presente a dimensão do infinito, que torna insignificantes as pequenas misérias com as quais somos forçados a conviver.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020


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