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Registros curiosos

ANTONIO FERNANDES PANIZZA | 10/09/2019 | 07:30

Lembro-me de ter perguntado aos alunos se tinham ideia de quando surgiu a televisão. O silêncio que se seguiu causou a impressão de que os jovens acham que ela sempre existiu. Isto não foi com crianças, mas com alunos de Projeto na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC Campinas. Em seguida, relembrando a evolução da tecnologia, os palpites deles começaram a brotar. Para nós, no adiantado da idade, parece que tais curiosidades aconteceram há pouco tempo.

Vamos lá, talvez valha relembrar alguns registros da nossa geração. Ainda em fins dos anos trinta, a família mudou-se para a nova casa na rua Senador Fonseca que, embora modesta como a maioria, possuía quintal com um abacateiro, dois pés de ameixa, hoje nêsperas, além do indispensável galinheiro. O último compartimento era o banheiro, para estar próximo da fossa, que também ficava no quintal, por não existir esgoto na rua. Pisos sobre o porão quase só em assoalho de madeira, assim como o forro, pois, as lajes em concreto eram ainda muito caras. Geladeira e fogão elétrico eram importados, portanto fora do alcance, e o a gás ainda não era usado. Os banhos quentes só enquanto o jantar era preparado no fogão a lenha, isto porque aquecia a água enquanto passava pelos canos junto às chamas. A falta de siderurgia no Brasil limitava o uso de ferro, sendo a madeira o maior recurso para as esquadrias. Na década de quarenta, após findar a guerra o progresso começou a aflorar. A via Anhanguera aqui chegou aumentando nosso acesso à capital, então limitado à ferrovia em seus ótimos e frequentes trens, que nos levava também às cidades do interior.

Na época a pratica de esportes envolveu muitos jovens. As melhores quadras, ainda em saibro, eram as da Esportiva. O Sr. Graciano, sempre descalço e de macacão, tomava conta e zelava pelas instalações, e era respeitado por toda rapaziada, fato incomum atualmente. Mesmo chegando o piso cimentado às quadras, Jundiaí continuou sem ginásio coberto, até a construção do Bolão concluído em 1953. Naqueles anos os Campeonatos Colegiais do Estado terminavam na semana da Pátria em São Paulo, e, em seu fechamento, havia grande exibição de ginástica no Pacaembu. Sua prática estimulou o surgimento de grandes jogadores que reforçaram as equipes das cidades que participavam nos Jogos Abertos do Interior. Muitos chegaram a seleções e trouxeram premiações notáveis. Mas, infelizmente, depois do quarto ano o então novo governador Jânio Quadros acabou com o campeonato naquele modelo.

Com a implantação da siderurgia nacional intensificou-se a atividade industrial, dando origem à fabricação de veículos e os equipamentos de conforto residencial citado, e, gradualmente, todo o rol de itens de uso familiar e pessoal. A televisão, origem deste texto, vi pela primeira vez e em branco e preto, na vitrine da loja do Jorge Copelli, na Rua Barão de Jundiaí. Era o ano de 1953.

ANTONIO FERNANDES PANIZZA é arquiteto e ex-secretário de Planejamento Urbano de Jundiaí. E- mail: antonio.panizza@yahoo.com.br


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