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Renato Nalini: A maldita da corrupção

JOSÉ RENATO NALINI | 28/06/2018 | 05:25

A sociedade midiática elege alguns gurus e segue a cartilha passivamente, como boiada que às vezes se inquieta. Uma das estrelas do extinto esquerdismo é Noam Chomsky, linguista, filósofo, analista político e ativista. Criou a gramática transformacional e, se tivesse parado por aí, já teria oferecido notável contribuição à humanidade. Mas também assume a condição de orientador político das massas. Opina sobre todas as coisas, até aquelas das quais não tem senão um conhecimento superficial, pois não vivencia a realidade, nem vive no Brasil ou na Venezuela, países sobre os quais emite seu veredito.

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Simpático às orientações fundamentalistas e de expressivo fanatismo das correntes radicais que substituem todos os valores pela conquista do poder político, reconhece que a esquerda chafurdou na corrupção. Numa entrevista a Patrícia Campos Mello, na Folha de S.Paulo, recomenda: “A esquerda deveria fazer uma autocrítica muito séria, examinar o que deu errado e pensar em todas as oportunidades que foram desperdiçadas porque sucumbiu à maldição da corrupção e a planejamentos falhos” (02/05/18). As esperanças que o Brasil acalentou – a profissão do brasileiro é ter esperança – foram despedaçadas pela autodestruição do partido que chegou a empolgar a maioria da população. Para Chomsky, houve reversão daquilo que se tentou fazer e, na esfera internacional, “a decadência da imagem do Brasil é drástica”.

Nada a objetar. Assim como concordo com ele quando julga os governos que prometeram mudanças para reduzir desigualdade no Brasil: “Eles deveriam ter resistido à tentação de adotar as práticas extremamente corruptas que têm sido um câncer matando uma sociedade que poderia estar prosperando e ter uma ordem social muito mais justa”. Ocorre que esse câncer não está restrito a um partido ou a um grupo. É algo insidioso, que contamina quase a totalidade das estruturas governamentais e que não respeita coloração política. A ânsia de se dar bem e de resolver seus próprios interesses a qualquer preço é algo entranhado na cultura brasileira, que negligenciou os valores, desprezou a ética e flexibilizou a moral. O resultado é que a maldição da corrupção venceu o campeonato. Não há como deixar de constatar que estamos muito longe da sociedade justa, fraterna e solidária que um dia nos prometeram.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista

JOSE RENATO NALINI


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