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Renato Nalini: Diga não à obesidade

JOSÉ RENATO NALINI | 06/06/2019 | 07:30

Um dos considerados êxitos da humanidade é ter contrariado a profecia malthusiana. Faltaria alimento e todos os sapiens passariam fome. Não é o que acontece. Claro que a injustiça social faz com que metade do mundo não tenha o que comer, enquanto os animais da outra metade se fartem. E seus donos também comam demais. Daí a obesidade.

Quanta gente moça além do peso! Quanta criança com quilos a mais! Passou o tempo em que se dizia “gordura é formosura”. Se ninguém aprecia o raquitismo, a anorexia, é preciso um pouco de substância para uma vida saudável.

Na grave crise que o Brasil enfrenta, o que não é novidade para ninguém, a boa notícia é que há nichos a serem explorados por quem queira se dar bem. Um deles é o cultivo de orgânicos.

Os pesticidas são venenosos. Matam os insetos, mas também matam a gente. Por isso está em alta, ao menos nos círculos esclarecidos, a busca de vegetais cultivados sem agrotóxicos. Mas uma outra via se abre: a volta à comida caseira.

Feita no fogão de lenha. Ou, para quem mora em apartamento, ao menos cozida sem o excesso de artificialismo que tornou a vida mais fácil para as ecônomas do lar, mas gera um subproduto nefasto para a sua prole.

Quanto menos alimento industrializado se consumir, melhor para a saúde. Para o médico Carlos Augusto Monteiro, os ricos se alimentam pior do que os pobres, do ponto de vista de aquisição de doenças crônicas. Fora salgadinhos, guloseimas, refrigerantes e outras bobagens.

O ideal seria recuperar os cadernos de receitas das vovós, comer algo mais próximo à natureza. Banir os ultraprocessados, aqueles alimentos que estão à disposição nas prateleiras do supermercado e que são até baratos. Mas o barato sairá caro. Dentro em pouco, a saúde estará comprometida e não haverá como recuperá-la.

Sei que é difícil falar isso: mas menos carne vermelha não fará mal a ninguém. Por sinal que a carne vegetal produzida pela startup californiana BeyondMeatestreou na bolsa de valores Nasdaq e suas ações subiram 163%. É uma empresa que vale quase 4 bilhões de dólares.

Hambúrguer e salsicha fabricados com proteína de soja e ervilhas substituem o gado que é assassinado para nos alimentar e que, enquanto vivo, aumenta a emissão do gás carbônico, responsável pelo aquecimento global e pela futura extinção da vida no planeta.

JOSÉ RENATO NALINI reitor da Uniregistral, docente de pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras


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