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Renato Nalini: Esconder-se no virtual

JOSÉ RENATO NALINI | 18/10/2018 | 07:30

Ao menos para alguma coisa o Parque Olímpico no Rio está servindo. Foi nele que se realizou um grande evento, considerado um dos maiores do mundo em termos de gamificação. Os games impregnaram a cultura contemporânea. Primeiro as crianças e jovens, cuja desenvoltura nos deixa pasmos. Depois, todos aqueles, independentemente da idade, que encaram o mundo digital como opção à melancólica situação do Brasil em nossos dias.

Nesse “Game Park”, houve muito mais do que o lançamento de novos jogos e instigantes desafios. Havia a demonstração do trem que liga Miami a São Francisco e corre a 1.200 km por hora. Por sinal, onde está o “trem-bala” Campinas-Rio, que tem até uma empresa estatal para implementá-lo a tempo de servir para a Copa do Mundo? Também há uma quadra de basquete para propiciar jogos com toda a emoção de uma partida real. E novidades para as crianças, seus pais, seus avós e para quem mais quisesse mergulhar nessa realidade sedutora.

Para o carioca, esconder-se no virtual passou a ser o refúgio possível, no caos que o mundo inteiro enxerga, mas o Brasil teima em considerar passageiro, corriqueiro e trivial. As facções vão eleger suas bancadas, os policiais militares continuarão a morrer e as balas perdidas sempre acharão alguém a quem vitimar. Pobre “Cidade Maravilhosa”! Foi convertida em cenário de horrores. Incinerou o Museu Nacional, esvaziou o seu potencial turístico para o estrangeiro, afugentou o visitante nacional. Os seus “maiores” continuam encarcerados.

Não resta muita coisa a quem sobrevive, senão mergulhar no mundo digital, esconder-se no virtual, ante o desencanto e o desespero do real. O único risco para esses “refugiados” é deixar de exercitar o corpo. A OMS acaba de divulgar que é crescente a legião daqueles que não cultivam o hábito da atividade física.

O sedentarismo e a falta de educação alimentar produzem obesidade, enfermidades circulatórias, toda a sequela de consequências geradas por esta contemporaneidade preguiçosa, que não anda a pé, chama o elevador para subir um andar e se empanturra de todos os venenos químicos produzidos para acelerar o seu encontro com a doença e com a morte. Mas há quem prefira isso a enfrentar a tragédia que conseguiram instaurar na “mui hermosa villa de São Sebastião do Rio de Janeiro”…
JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed. – RT-Thomson

JOSE RENATO NALINI


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